Arquivo de 9 de novembro de 2008

Orquídea no lixo!

domingo, 9 de novembro de 2008

Recebi hoje um email com as fotos que ilustram este artigo de um amigo paulistano com o texto: “Encontrei esta orquídea no lixo em frente de uma casa há cinco anos!
 
Demorou… mas o espetáculo que ela está me proporcionando não é Fantástico?
 
Valeu a pena esperar e acho que ela esta me agradecendo com sua beleza…
 
Carlos”

A planta  restabeleceu-se do trauma, encontrou seu carinho e cuidados e o resultado está ai! Uma linda Laelia purpurata (nomenclatura atual Hadrolaelia purpurata) florida honrando seu socorro com essa bela floração! 

 Falando um pouco do amigo Carlos Roberto Sgrignoli, recordo-me que quando o visitei há alguns anos, começou seu orquidário acanhadamente sobre a laje do sobrado que  possui num dos bairros de São Paulo. As plantas aumentaram e acabou levando-as para a chácara do pai. Não tinha conhecimento dessa planta encontrada por ele no lixo, e vejam só que maravilha!

Não raro deparamos em nossas caminhadas pelas cidades com um e outro vaso de planta de jardim, com orquídeas, samambaias, begônias, anturios e tantas outras em estado deplorável, mal cuidadas, adoecidas pelo ataque de pragas, ou simplesmente desnutridas por falta de nutrientes e água ou novo substrato, nos vasos de xaxim ou qualquer outro, jogados no lixo.

Certa feita minha mãe encontrou um velho vaso de xaxim com uma touceira de samambaia praticamente seca, morta, com umas poucas folhas quase esturricadas, no lixo de uma casa. Pegou a planta e levou pra casa. Um dia numa visita, mostrou-me  dizendo “Estava passando por uma calçada e vi essa samambaia no lixo…fiquei com dó e trouxe pra casa e estou cuidando, vamos ver se vai vingar”. Vingou! Com o carinho e tratamento recebido, no mesmo xaxim onde estava plantada fechou todo ele com belíssima folhagem da chamada “renda portuguesa”!   

Entendo que princípios de preservação e Ecologia começamos em nossas próprias casas, a começar da limpeza e conservação de nossos quintais e plantas domésticas, inclusive frutíferas. Muitas vezes algumas pessoas são presenteadas com belos vasos de plantas ornamentais,  vasos de violeta ou cactos coloridos.  Depois quem ganhou, por não gostar muito de plantas e pouco cuidar, achando que a coitada por si só irá até a torneira beber água e procurar não sei onde algum nutriente…acaba ficando feia num triste e agoniado silêncio murchando ali no canto onde foi negligentemente colocada. Depois, sem mais nem menos jogada no lixo. Mas insistente e querendo viver, permanece lá fora exposta ao sol, o sonhado sol que deixara de ter por um bom tempo  enquanto esteve no canto sombreado da sala, cozinha ou área de serviço da casa ou apartamento.

“-Quanta tortura! o sol agora não me faz bem, é muito em tão pouco tempo e tenho sede aqui jogada na lixeira da calçada!

…Ei! Espera ai! Vem passando uma alma bondosa! Legal, me viu! Oh! …hmmm, que pena, estou feia e ela não gostou e passou direto! E não tenho como gritar para que ela me perceba melhor e me leve junto!

-Wow, não acredito, ela parou! Está voltando! -Ufa, deve estar com vergonha, pois olha para os lados…mas criou coragem e me pegou, estou indo embora com ela! Fui salva, não serei triturada daqui a pouco dentro da caçamba do caminhão! Levarei um tempinho pra me recuperar! Mas ficarei forte e vistosa novamente…e lhe retribuirei com nova folhagem fechando o vaso ou lindas flores! Obrigado!”

Uma planta, qualquer que seja e onde quer que esteja é um ser vivo , nunca esqueça disso! Quando decidir presentear alguém com uma delas, procure primeiro verificar se a pessoa efetivamente gosta de plantas. Se não gostar, é provavel que o destino final dela, após a floração apresentada quando da compra, será o lixo! Para pessoas assim, não compre plantas, mas dê-lhe caixas de bombons, guloseimas, jóias , roupas, ou qualquer outra coisa, a diversidade de gostos existe e devemos respeitar…o chato é deparar com plantas lindas no lixo!

Existe um velha estória que não sei se é verdade. Dizem que num laboratório de botânica americano ou canadense,   objetivando determinar se plantas apresentariam reações de “sentimento” em relação a outras coisas, pesquisadores colocaram um vaso de determinado vegetal ao lado de um pequeno aquário com peixinhos. Durante alguns meses permaneceram lado a lado sendo cuidados com carinho e precisão científica. Num determinado dia, prepararam a planta colocando-lhe terminais de medidores sensíveis ligados a aparelho de precisão destinado a medir a pulsação ou fluxo da seiva na planta. Em seguida retiraram da sala o aquário com os peixinhos levando-o para uma sala ao lado, não “visível” à planta, cujo vaso permaneceu onde estava. Na outra sala esvaziaram a água do aquário…óbvio que os peixinhos sem oxigênio apropriado, no desespero começaram a pular e agonizarem até morrer. Diz-se que no momento  em que a água foi retirada do aquário e os animais começaram a agonizar, a medida da pulsação  ou fluxo da seiva aumentou sensivelmente, a ponto de ser registrado esse aumento pelos sensores,  demonstrando uma situação de estresse pela planta no momento em que eles morreram. Pode até ser invenção essa estória, mas faz algum sentido. Todo e qualquer ser vivo  tem sua forma de sentir. Carlos! Parabéns pelos cuidados e beleza de sua Laelia purpurata catada no lixo! 

Créditos: Fotos e planta do cultivo do orquidófilo Carlos Roberto Sgrignoli, da cidade de São Paulo - Brasil.