Arquivo de 17 de novembro de 2008

Maxillaria camaradii (Lindl.) Rchb.f. 1863.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A orquídea  Maxillaria camaradii (seu registro mais atual e válido é Maxillaria hoehneana B.F. Kunt, 1965), é uma das mais belas espécies do gênero Maxillaria, não só pelo formato de sua flor, como pelo perfume marcante que emite no período da manhã. Nativa desde  o México, passando por toda América Central, Equador, Venezuela, Peru, Guianas, região norte e parte do centro-oeste brasileiro, essa orquídea  epífita e simpodial, apresenta  rizoma interessante.  No espaço entre os pseudobulbos achatados e ovóides sulcados bifoliares, ele é recoberto com bainhas intercaladas de folhas secas e sob as quais forma-se um emaranhado de raízes finas que nem sempre afloram para fixarem-se; é comum encontrá-la no habitat de florestas úmidas formando moitas onde apenas uma parte principal está fixada no tronco das árvores,  enquanto o rizoma cresce ramificado, exuberante e conforme a umidade ambiente,  com o apodrecimento da bainha seca que acaba servindo de nutriente, é que vemos então todo o enraizamento fino da planta,  num emaranhado em volta do rizoma, expondo-se naturalmente para absorver os nutrientes do ar úmido.

É tida como planta de cerrado na literatura existente, entretanto o que conheço dela, é mais comum vegetando em mata de galeria no norte de Mato Grosso, caracterizado por clima quente e úmido,  parte da Amazônia legal brasileira. Se suas flores medindo cerca de 3 a 4 cm de diâmetro apresentando  pétalas e sépalas albas e labelo amarelo e pintado com rajas irregulares de cor marrom avermelhado e que brotam aos pares intercalados na haste floral que já nasce com um pseudobulbo paralelo em formação são muito bonitas e de perfume lembrando àquele da planta de jardim conhecida como “dama-da-noite”, tanta beleza e perfume são efêmeros, duram pouco tempo. Nalgumas regiões como em Luciara no nordeste de Mato Grosso, sua floração amanhece vigorosa e já no entardecer começa a murchar. No cultivo de orquidário doméstico em Goiás, o exemplar que tenho manteve a floração mais de um dia, mas já no segundo as flores começaram a murchar naturalmente.  Deve ser plantada em pedaço ou lasca de madeira e colocada na superfície de vaso de cerâmica   complementando o espaço interno do vaso com pedaços  casca de coco desalinizada    e outras lascas menores e esfagno misturados, cuidando para borrifar água limpa no anoitecer em toda a extensão da planta, principalmente nos rizomas. Plantada nessas condições deve deixar que o rizoma cresça cobrindo a superfície do vaso até que comece a sair para fora , proporcionando boa vegetação em cascata em volta dele. Adubação é a normal pra qualquer orquídea epífita, sem exageros.  Telado de sombreamento de 50 a 70% (o meu é deste último) e local ventilado. Floresceu  entre fins de outubro e princípios de novembro mas  pode florescer mais de uma vez no ano. Outros registros de mesma planta: Camaradium amazonicum Schltr. 1925,  Maxillaria lutescens Scheidw. 1839, Ornithidium album Hooker, 1834, Ornithidium fragrans Rolfe, 1894, Maxillaria hoehneana B.F. Kunt 1965.
Classificação – Gênero: Maxillaria; Espécie: Maxillaria camaradii; Tribo: Maxillarieae, Subtribo: Maxillariinae; Etimologia:  Maxillaria, do latim “maxilla”, mandíbula; Epíteto: “camaradii”, do latim câmera ou câmara, em referência ao formato do estigma.