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E ainda se perdem plantas por Podridão?

28 julho 2009 18 comentários

autores: Gomes Ferreira, Augusto Burle

Melo e Silva, Carlos Eduardo.

“Abstract:

In Brazil it is common some orchidophiles loose plants through infection by Pseudomonas cattleyae – a fatal disease which leads to rapid total loss of the leaves and pseudobulbs with consequent death of the plant.

Various experiments are being undertaken with a view to discovering a product which will save the plant. The authors are getting good results using a remedy (antibiotic) easily found in Brazil by the commercial name “Cicatrene” , made with Neomicine and Bacitracin.

They say when an orchid is suffering from fungal rot, caused by Pseudomonas cattleyae, they make a little hole in the rhizome of the plant and inject the substance of Neomicine and Bacitracin. After a short time the disease is under control. They didn´t get any result using Neomicin + Bacitracin cream or spray. It must be a solution of NB powder and sterilized liquid vehicle (text written in 1991). Obs.: Nowadays there aren´t on Pharmacies the old formula “Cicatrene” powder.

De acordo com publicação no Boletim CAOB (Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil), editado em 1991, os autores, então residentes no Estado de Pernambuco, tomaram conhecimento de que “para os orquidófilos do Sul a Podridão Bacteriana (causada por Pseudomonas cattleyae) continuam sendo causas de uma doença fatal para as suas plantas. Afirmam que onde moram, curam mais de 95% dos casos, só perdendo uma planta quando todas as gemas já foram atingidas.

neomicina_bacitracinaConsideraram na época o poder bactericida da Neomicina e sua impossibilidade de uso interno no homem, por motivo de paralisia renal que provoca. Lembraram da Podridão bacteriana e que orquídea não tem rins, assim, resolveram experimentar a aplicação interna do medicamento Cicatrene em pó (Neomicina + Bacitracina) nas plantas atacadas por essa doença. Primeiro, Gomes Ferreira, fez um furo num bulbo sadio de uma Laelia crispa que estava atacada pela Pseudomonas cattleyae e encheu o furo com Cicatrene, a Laelia curou-se sem que fossem removidas as partes afetadas, que secaram. Como este processo deixou um furo feio na planta, ele combinou com Melo e Silva, que além de orquidófilo é cirurgião vascular, injetar, com uma agulha raquidiana e uma seringa hipodérmica, 1 cm cúbico de solução saturada de Cicatrene. Assim, na primeira planta que apareceu infectada pela Podridão, perfurou em sentido longitudinal pela axila foliar e injetou 1 cm cúbico no último bulbo infectado e no primeiro primeiro ainda não atingido. A planta foi curada sem que fossem removidas as partes doentes.

Enquanto isto, Melo e Silva retirou a planta para um lugar seco, suspendeu toda a regação e cobriu o rizoma e as raízes visíveis com o Cicatrene, retornando a planta ao orquidário, depois que todas as partes infectadas secaram. Gomes e Ferreira cortou as partes infectadas e esfregou Cicatrene em pó nas cicatrizes e depois cobriu-as com mais Cicatrene, não removendo a planta do orquidário. Ambas as técnicas obtiveram o mesmo êxito: 99,9 % de cura.

Nas monopodiais como as Phalaenopsis, ambos removeram as partes infectadas e aplicaram o remédio, se o olho da planta ainda não tiver sido atingido, enchem-no com Cicatrene.

Este êxito levaram-nos a experimentar o remédio em outras doenças e também obtiveram excelentes resultados, como por exemplo:

1- Na podridão negra, que ataca os brotos no início do crescimento.

Cobrindo o broto com Cicatrene, a podridão estaciona e se não tiver atingido o tecido clonal, o broto retoma o crescimento, se já tiver atingido o clone, é removido este até atingir o tecido sadio, aplicando o remédio na ferida e em todos os outros brotos dormentes. As próximas brotações não são mais atacadas.

2- Na Podridão Negra e na nova doença surgida em Pernambuco (ressecamento superficial e penetrante do rizoma) os resultados também foram de êxito total.

Consideram que não devemos fazer do Cicatrene uma panacéia miraculosa.

Acreditam que com outros medicamentos de composição assemelhada como o Cicatrizam, obtenha-se o mesmo resultado.

Finalizando, fazem uma advertência: o Cicatrene, pomada e “spray” mostraram-se totalmente ineficazes.” (Atenção! Observe que esse texto foi escrito em 1991, na época existia o Cicatrene em pó, hoje -2009- não mais)

No texto afirma-se que a linha humana do medicamento à base de Neomicina e Bacitracina é de uso exclusivo externo pois internamente pode causar problemas renais,  assim não existe no mercado farmacêutico, atualmente, composição do medicamento Cicatrene em pó, vendido na época, 1991 – portanto há mais de 10 anos.

Tentei encontrar sem sucesso nas farmácias e drogarias, e mesmo no Bulario Eletrônico da ANVISA algum outro com mesma composição em pó, muito menos na linha veterinária. Existem dezenas de marcas, a começar por Nebacetin, mas todas, sem exceção na forma creme ou “spray”. Os autores foram taxativos em dizer que como creme ou “spray” o medicamento foi totalmente ineficaz, portanto sem nenhum efeito no combate a doença da planta.

A solução será procurar uma boa farmácia de manipulação e encomendar a mistura de Neomicina e Bacitracina em pó, na proporção daquela constante da bula do Cicatrene ou Cicatrizan.

Para os orquidófilos interessados em mandar manipular a fórmula , entenda a seguir o por quê dos benefícios dessa composição bactericida na defesa de nossas orquídeas:

Propriedades farmacodinâmicas

celula_bactéria_tipica_romeiro_1955A neomicina determina um erro na leitura do código genético da bactéria, interferindo na síntese de suas proteínas. A bacitracina inibe a biossíntese da parede celular bacteriana. Portanto, quando a neomicina e a bacitracina são utilizadas de forma associada, alteram a síntese bacteriana através de duplo mecanismo de ação.

Observa-se um efeito sinérgico destes dois componentes bactericidas, por exemplo, contra o crescimento de estreptococos, enterococos, pneumococos e algumas cepas de estafilococos.

A neomicina é eficaz contra bactérias gram-positivas, e particularmente contra as gram-negativas. O espectro de ação da bacitracina compreende principalmente as bactérias gram-positivas e algumas bactérias gram-negativas.

Conhecendo um pouco mais sobre BACTERIAS.

A Pseudomonas cattleyae é uma bactéria gram-negativa, ou seja, age e sobrevive sem necessidade de ar, portanto um organismo microscópico anaeróbico (ou anaeróbio).

Num estudo do Prof. Sami J. Michereff, do Departamento de Agronomia, Área de Fitossanidade, da Universidade Federal de Pernambuco, denominado “Bactérias como agentes de doenças de plantas” e publicado na internet, afirma que mais de 1.600 bactérias são conhecidas, mas apenas cerca de 100 espécies causam doenças em plantas. São importantes patógenos de plantas, não somente pela alta incidência e severidade em culturas de valor econômico, mas também pela facilidade com que se disseminam e pelas dificuldades encontradas para o controle das enfermidades por elas incitadas.

gender_bacterias@orquidario_cuiaba Na classificação dos principais gêneros de bactérias fitopatogênicas, temos o Reino: Procaryotae – e na divisão: Gracilicutes (das bactérias gram-negativas), temos a Classe Proteobacteria (onde a maioria é unicelular). Nessa classe encontramos a Família Pseudomonadaceae, com os Gêneros: Acidovorax, Pseudomonas, Ralstonia e Xanthomonas. Clique na imagem ao lado para vê-la ampliada.

Enquadramos no gênero Pseudomonas a espécie cattleyae, terror para muitas de nossas orquídeas.

No estudo do professor Michereff, é apresentado a tabela abaixo, facilitando maior compreensão da forma de atuação das principais bactérias patógenas. Clique na tabela  para vê-la em detalhe. tab_bact_patogenicas@orquidario_cuiaba

Fonte:

Boletim CAOB, Ano III, vol. III, nº 3, maio/agosto 1991, p. 37, 38.

Artigo “Bactérias como agentes de doenças de plantas” formato PDF em  http://www.cca.ufsc.br/labfitop/2008-2/untitled/materiais%20que%20est__o%20no%20site%20do%20departamento/bact%2B%AErias_ufrpe.pdf

Créditos Imagens:  Foto medicamento no Google imagens;  Ilustrações e gráficos  ref. bacterias – artigo acima referido.

Agradecimento: Estudo publicado graças a prestimosa colaboração da amiga orquidófila Sandra Soares, do Rio de Janeiro.

18 Comentários »

  • katia dito:

    EU! So no último fim de semana perdi 4 plantas!
    Você teria a fórmula? Vou tentar na farmacia de manipulação.
    Abraços, Katia
    R.: Katia, tentei encontrar e não consegui, achei, isto sim, uma publicação do Diário Oficial da União em 2007 com uma extensa lista de medicamentos proibidos de serem produzidos e/ou comercializados, dentre eles Cicatrene ou Cicatrizan (esqueci…mas dá na mesma). A concentração ativa do sulfato de neomicina mais bacitracina nas pomadas ou cremes está em: Sulfato de neomicina 5 mg; Bacitracina 250 UI. Disso dá pra ter uma base da proporção e quantidade manipulada desejada. Caso venha a ter novas plantas contaminadas pretendo usar Amoxilina trihidratada. Na época das chuvas tive alta contaminação de antracnose em diversos vasos com Spathoglottis unguiculata; como a infestação foi severa, usei desse medicamento misturado na calda bordalesa conseguindo o controle do problema, curando as plantas; cheguei a comentar sobre isso. Vamos ver se a Sandra tem alguma sugestão. Abraços.

  • katia dito:

    você comentou algo sobre Anasseptil em pó, será que ajuda?
    Acho que ainda fabricam…, não sei….
    Abraços, Katia
    R.: A resposta da Sandra é bem esclarecedora…procurarei o Anasseptil.

  • sandra soares dito:

    É pessoal, eu consegui salvar as minhas usando a pomada de Neomicina e Bacitracina (Neomicina sob a forma de sulfato 5mg e Bacitracina zíncica 250 UI) ou seja a pomada Nebacetim,sendo reforçada com o anaseptil pó 10g, a formula contém sulfato de polimixina B sulfato de neomicina, óxido de zinco e perióxido de zinco (não especifiquei as quantidades pois contém até mesmo no frasco),como não se encontrava a fórmula líquida para injetar nas plantas; faço tipo uma pequena raspagem na área afetada eu aplico a pomada e o pó logo a seguir, como a pomada faz com que o pó se fixe pode se passar mais de meses que não sai mesmo durante regas e adubação. Pelo menos assim eu consegui salvar as minhas plantas afetadas. Ainda faço o uso da mesma maneira quando aparecem aquelas manchas escuras nas folhas,(*só não faço a raspagem nas folhas aplico por cima da mancha). Quem ama cuida!!!!

  • susana dito:

    oi sandra soares,eu adoro orquideas quando perdi meu pai e irmão ha pouco tempo de diferença um do outro cai numa profunda tristeza,uma vizinha para me agradar me deu um sapatinho,me apaixonei me dediquei a cuidar dela e fazer mudas, me retribuiu com lindas flores duas vezes no mesmo ano quase impossivel, passo o dia cuidando e hoje me sinto mas conformada com a perda de meu pai e irmão, DEUS assim quis. Mas o que quero é que vc me de dicas de onde acho essa pomada e quantas vezes vc passa. Bjs que DEUS sempre te abençõe. Susana.
    R.: Susana, respondendo pela Sandra, a pomada (ou creme) Nebacetim assim como o Anaseptil pó, são encontrados em qualquer drogaria ou farmácia, pois são medicamentos da linha humana. Como ela explica no comentário, mistura o Anaseptil pó com a pomada Nebacetim, formando uma pasta que passa nos locais doentes da planta. Essa pasta dura um bom tempo mesmo sob regas constantes. Abraços.

  • Eliana dito:

    Sandra, adorei a dica, amanhã mesmo irei comprar esses medicamentos, agora com sua ajuda não irei perder mais plantas, meu muito obrigada de coração. Um grande abraço.
    Ah..me desculpe, mas passei este link para alguns amigos, por ele ser muito extenso eu não conseguiria explicar, tem algum problema?? Espero que não..rss

  • Luciana dito:

    Obrigada Sandra pelas dicas, realmente ótimas.
    Vc acha que esta mistura pode ser usada qdo cortamos a haste de Phalaenopsis ou em qualquer outro corte/subdivisão feito em orquideas ?
    Grata, Luciana

  • sandra soares dito:

    Luciana, ainda não tinha lido a sua pergunta, me perdoe por isso! Mas eu não faço assim não.Porquê: tenho deixado a haste até secar, pois tenho tido a grata surpresa delas continuarem florindo mesmo quando alcançam as vezes um metro de haste.E isso vem acontecendo não só com as minhas mas com outras plantas de amigas e até a minha filha está maravilhada com a dela que está florindo novamente na mesma haste. Mas caso queira cortar use somente o anassepetil ou canela em pó, como o José Luis já tem dito sempre. Beijos, Sandra.

  • sandra soares dito:

    Eliana, é sempre bom ter mais visitantes no blog, pode indicar sim o que é feito aqui é com muito carinho. Todos são bem vindos, espero que os seus amigos também gostem como você. Um beijo, Sandra

  • maria apareçida domingos de almeida dito:

    Boa tarde , amei conhecer este site pois a maioria de minhas dúvidas em relação a estas doenças se foram! Um abraço. Estou indo para a farmacia.

  • Sandra Soares dito:

    José Luis,é uma coisa muito engraçada que tem acontecido com nossos amigos e amigas. Ao invés de dizer que estou indo a loja de produtos especializados, vou ao mercado e vou à farmácia está sendo o nosso dia a dia.Até mesmo o balconista de uma farmácia perto de minha casa está adotando o novo método de cuidados,quando chego lá ele pergunta, é para você ou para as orquideas? Maria Aparecida, não podemos deixar a nossa farmácia caseira para as plantas junto com a de casa viu? É que, se começar a misturar os medicamentos você pode estar levando para as suas plantas algum tipo de fungo,ácaro ou outro tipo de problema, pois até mesmo as formigas que ficam nos armários e que nós fazemos de tudo para exterminar,transmitem doenças,por isso esteja sempre atenta,quanto ao lugar onde guarda os medicamentos para suas plantas.Um abraço, Sandra

  • Andréa Pauli dito:

    Bom Dia sou do Rio grande do Sul, sou uma orquidófila, juntamente com meu pai.
    Temos uma pequena associacao e todos os socios perderam plantas por causa de podridao negra, canela seca e outras doencas.
    Queria uma pequena informacao: esse pó o cicatrene deve ser dissolvido em agua???
    Pois só éu e meu pai ja perdemos mais de 50 orquidéas assim.
    Se alguem poder responder muito obrigada.
    R.: Andrea, na leitura das respostas nos comentarios acho que voce encontrara a resposta para sua duvida, note que cicatrene, pelo menos do que sei e procurei nao existe mais no mercado. Deixo a resposta mais completa pra nossa amiga e colaboradora Sandra, do Rio de Janeiro responder. Vamos aguardar. Abraços.

  • Sandra Soares dito:

    Andréa,quanto a sua pergunta, o cicatrene não se encontra mais no mercado. Mas você pode usar o ANASSEPETIL, sem medo, mas se no seu caso for para usar diretamente somente o pó dissolvido na água, não irá surtir efeito. Uma outra maneira que encontrei e ainda não postei, está sendo de primeira mão para você:você pode usar também uma cápsula de AMOXICILINA 500mg, abrindo com cuidado e retirando o pó de dentro dela, mas eu sempre procuro misturar com a pomada NEBACETIM e aplicar no local onde você está notando que está sendo atingido pela podridão. Mas cuide de não molhar demais as suas plantas amiga, para que o resultado seja mais eficiente.Boa sorte,e abraços estimada Andréa, Sandra.

  • olinda gomes teixeira dito:

    Olá meninas fiquei muito feliz ao encontrar este site, adoro orquideas, tenho em vasos, arvores e quase morro se perco alguma, até hoje graças a Deus só perdi uma, ótima as dicas, pomadas e canela. Estão de parabens, um abraço

  • Sandra Soares dito:

    Realmente prezada Olinda,não gostamos de perder nenhuma de nossas plantas!!! E o José Luís que o diga,como moderador e amigo, diz sempre: se não cuidarmos já era. Fazemos votos que não venha a perder mais nenhuma,pois eu sei como é esta sensação, e a Kátia nem se fala,é outra que fica sempe atenta a tudo o que acontece com as dela. Daqui em diante é contigo José Luis. Um Abraço, Sandra.

  • Glaciane Gasparin dito:

    Olá

    Tenho Mudas de Orquideas de cymbidium.
    e perdi muitos vasos,porque na época das chuvas apodreçeu muitos Brotos e bulbos e perdi o vaso inteiro.

    e as folhas ficam amarelas e cai.

    o que devo fazer?
    R.: Isso normalmente acontece quando o enraizamento ficou compacto no vaso, e com o excesso de umidade nele acabou apodrecendo, literalmente afogando-o e o resultado: podridão de raizes e bulbos. O ideal agora seria pegar parte da planta ainda saudavel e replanta-la em substrato parecido com aquele no qual ja estava, mas sem compactar, em vaso maior. Nao use o mesmo substrato anterior sem antes ferver, para matar fungos e bacterias. Novo substrato é o mais recomendado. Abraços

  • rita de cassia dito:

    nossa amei tudo isso que vcs falaram, e eu que já tinha perdido a fé em salvar minhas orquideas atacadas por podridão,valeu mesmo,e parabens por colocar tudo isso aqui pra gente saber cuidar mais de nossas plantas, beijus.

  • marlene dito:

    Olá!
    Estou adorando todas estas informações. Adoro orquídeas. acontece que as raízes das minhas estão apodrecendo. Estou replantando as mudas para vasos novos com substato novo, depois de lavar bem a muda e cortar as raízes estragadas, passo canela em pó. Gostaria de saber se devo passar algum fungicida ou inseticida; este ano que passou tive problemas também com pequenos caracóis. Um grande abraço e obrigada.
    R.: O apodrecimento das raizes pode estar ligado a excesso de umidade e substrato compactado sem ventilação, que acabada “afogando” o velame e provocando apodrecimento por contaminações oportunistas de fungos e/ou bacterias. Proporcione a replantio em vasos com mais buracos, inclusive laterais (se forem vasos plásticos é fácil aquecer um pedaço de ferro e furar). Evite replantar cobrindo de substrato o enraizamento. Coloque um tutor com palitos de bambu (desses pra churrasquinho) ou pedaço de arame encapado. Em seguida apenas amarre a planta ao tutor, deixando que as raizes cresçam livremente sobre o substrato, sem compactá-lo. Abraços.

  • Sandra Pinheiro dito:

    Olá! Eu li a matéria e adorei. Há algum tempo atrás tive uma Cattleya híbrida infectada por podridao negra. Bem, eu comprei o “nebacetim” e o “anaseptil em pó”, fiz a pastinha, uma pequena raspagem no local e apliquei o produto. Infelizmente fui “burra” o bastante pra deixar minha planta numa janela, separada das outras do meu pequeno orquidário. O problema é que o sol, junto com o nebacetim (acredito eu), provocou queimaduras na planta! Tentei lavar e retirar a pomada, mas nada deu certo. Minha orquídea foi morrendo aos poucos da doença e tb de desidratação. Hoje estou com outra planta com os mesmos sinais da podridão negra, mas tenho medo de usar os produtos e acontecer o mesmo, o que devo fazer?
    Agradeço se me ajudarem.
    Sandra Pinheiro
    R.: Sandra, a grande realidade do cultivo doméstico de orquídeas é que, apesar de nosso contato diário com nossas plantas, nem sempre estamos atentos a doenças em sua fase inicial. Muitas vezes, quando descobrimos é tarde, ela está toda contaminada, e nessa situação o uso de algum medicamento ou defensivo é praticamente inoperante. A desidratação da planta, independente da insolação que possa ter ajudado num maior estresse está mais ligada a doença em si. Do que você escreveu, talvez sua planta esteja com Fusariose (também conhecida como “canela seca” e não Podridão, apesar de serem ligeiramente parecidas. Segundo o orquidólogo Darly Machado de Campos – email: darly.machado@ig.com.br , em seu livro “Orquideas – Pragas e Doenças“, a podridão é causada pelo fungo Pythium ultimum, que “atinge tanto plantas novas como adultas. Nas plantas adultas, a introdução desse fungo pode ocorrer em qualquer parte, sendo sua transmissão por água durante irrigação (respingos de uma planta infectada), pelos instrumentos de corte sem esterilização, pela mão do cultivador”. Os principais sintomas da podridão é a presença do pseudobulbo que ao toque manual apresenta-se amolecido, e se dobrarmos esse pseudobulbo infectado, escorre um líquido com cheiro desagradável. É a podridão fúngica. Como tratamento ele recomenda o mesmo processo para outra doença, chamada Fusariose ou canela seca (causada pelo fungo Fusarium), ao contrário da podridão que deixa o pseudobulbo mole e “aguado” com liquido fedido; a fusariose, como ataca a partir do enraizamento, vai desidratando a planta, e nesse caminho destruidor, as partes atingidas vão ficando amareladas e ressecadas. Quando atingem a ligação com a folha em si, esta, ainda que esteja verde, pode ser arrancada com facilidade, e se deixarmos ela grudada, com o tempo ela seca também. Segundo o autor do livro, para controle das duas doenças, o ideal é descobrir o início da doença, pois o fungo contamina outras plantas vizinhas pelo respindo de água durante nossas regas. Deve-se isolar a planta doente das demais. Depois, usando instrumento afiado e desinfetado, com cortes a partir do pseudobulbo traseiro por onde iniciou-se a doença, vai-se avançando e eliminando essas partes contaminadas (de preferência incinernado-as) até chegar na parte que resta saudável, e lembvrando que a cada corte a lâmina deve ser desinfetada, esterilizada. O corte é feito até eliminar o aro púrpura que aparece no rizoma. Durante esse processo as mãos devem estar sempre limpas, usando luvas e solução desinfetante com água sanitária mais água destilada durante o manuseio. Feito esse “corte cirúrgico” eliminando as partes afetas, Darly recomenda submergir (conforme citado por Abreu Jr.) o que restou da planta saudável numa solução de extrato de cebola, que é feita usando 100g de cebola de cabeça ou cebolinha verde, cortadas bem finas, misturando-se num litro de água destilada, deixando o preparo curtir por dez dias. Para pulverizar, coa-se e dilui-se esse preparo em 3 litros de água. A planta pode também ser imersa nessa calda.” O autor não fala do uso imediato, mas entendo que sendo necessário, como no seu caso, sem poder esperar esses dez dias, pode-se bater no liquidificador para melhor homogeneização do princípio ativo da cebola, coar, diluir nos 3 litros de água e imergir o que restou da planta saudável nessa solução. Não esquecer de trocar o substrato e vaso da planta contaminada, mantendo-a separada das demais. Espero ter ajudado. Abraços.

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