Flores de orquídeas com manchas escuras!
O que você faria se sua bonita floração de Denphal…como esta da foto por exemplo 
Começasse a ficar assim! Num aspecto feio, cheio de manchas escuras alastrando-se por outras flores? E você jurando usar de todas as precauções no controle de pragas e doenças! Será?
Muitas vezes, em épocas chuvosas e alta umidade relativa do ar, deparamo-nos com um problema em nossos orquidários que nos deixa preocupados. É quando algumas de nossas orquídeas começam a apresentar manchas cinzas nas folhas, parecidas com um mofo, que começa a melar onde ataca, e nas flores, pintalgando-as com manchas de cor cinza escuro. Estamos diante de uma doença fúngica chamada Botrytis, também conhecida como podridão Botrytis ou mofo cinza, causada pelo fungo Botrytis cinerea, que desenvolve-se com extrema rapidez em ambientes úmidos e fraca ventilação. Isso deve-se ao fato de ser um microorganismo que produz esporões no seu ciclo reprodutivo, que é levado por nós mesmos; respingos de água ou vento úmido para plantas vizinhas disseminando-se numa cadeia efeito dominó.
Em nossos orquidários encontram as condições perfeitas para desenvolverem-se, e se não transferirmos a tempo as plantas floridas e aquelas mais vulneráveis, como as Phalaenopsis por exemplo, para local com cobertura plástica evitando esse excesso de umidade, a possibilidade de inutilização de belas floradas é certa!
Para os amigos ou amigas orquidófilas que além de orquídeas gostam de cultivar outras plantas floríferas em seus jardins, esse fungo ataca também violetas, gerânios, anênomas, dálias, crisântemos, girassóis, cravo-de-defunto dentre outras, sem contar na agricultura e muitos de seus cultivares atacando plantações de repolho, morango, cenoura, aspargos, tomates…
Existe também a espécie Botrytis paeniae e Botrytis tulipae; a primeira contamina flores da Peônia ou rosa albardeira, a segunda as tulipas.
Daí mais uma forte razão para cuidarmos do aspecto sanitário e higienização antes de adentrarmos nossos orquidários ou área de plantio de nossas orquídeas, verificarmos se manipulamos momentos antes aquele bonito repolho na cozinha e que tinha algumas folhas com algumas manchas escuras muitos comuns e que foram retiradas ao lixo antes de fazermos uma salada. Ou se ao manusearmos a bonita caixinha de morangos para uma sobremesa, retiramos fora aquele único que estava meio mole numa lateral com um mofo suave e acinzentado.
Nesses casos, o contato direto com o alimento contaminado pelo fungo Botrytis, que não apresenta efetivo risco a saúde humana, indo visitar o orquidário, observeo cuidado em lavar as mãos com um desinfetante e conforme a situação, até trocar a roupa que esteve em provável contato com seus esporões fúngicos. Do contrário estaremos levando essa doença para atacar nossas plantas na primeira oportunidade – aquela quando proporcionamos regas em excesso mesmo em épocas secas molhando inclusive as flores de nossas orquídeas.
Vamos relatar aqui uma interessante curiosidade, se de um lado o Botrytis é prejudicial numa larga escala envolvendo diversas plantas perenes, na vinicultura ele é bem vindo em algumas espécies de uva, pois é com o seu ataque nos cachos de algumas espécies de mesa, que ele proporciona maior açucaramento dos frutos, que produzirão depois excelente vinho licoroso. Pesquisando na internet, descobri um vinho licoroso australiano cujo nome omitirei, onde na descrição de conhecido website comercial, num trecho constava o seguinte:
“Origem: Austrália
Região: South Eastern Australia
Classificação: South Eastern Australia
Tipo de Vinho: Branco
Castas / Composição: 90,6% Semillon e 9,4% Gewustraminer
Elaboração:
As uvas deste Botrytis são colhidas das vinícolas mais premium do sudeste australiano, regiões ideais para a vinificação deste tipo de vinho. A neblina do outono e as nebulosas chuvas, encorajam o nobre ataque do fungo Botrytis, que esgota a água de cada bago e intensifica o seu grau de açúcar. As uvas são então retiradas após três meses da colheita da uva de mesa. O processo manual e o cuidadoso esmagamento minimizam a extração de taninos. Finalmente, a maturação ocorre em barris de francês novos.
Características Organolépticas:
De coloração amarela dourada, este vinho suave e complexo apresenta rico aroma de pêssego, damasco e frutas secas; além do tostado do carvalho. Na boca, é adocicado e cremoso, de vigoroso frescor.”
Vejam só, “a neblina de outono e as nebulosas chuvas encorajam o nobre ataque do fungo Botrytis”. No caso das uvas é bem-vindo como NOBRE…em nossos orquidários é mal-vindo como PESTE!
E quantos de nós, em nosso dia-a-dia lidando com nossas plantas, não nos atrevemos em “fazer aquela chuva diária usando de esguichos manuais ou mangueira com aspersores de alta pressão sobre as plantas?”
Depois algumas folhas de algumas espécies começam a aparecer manchas cinza emboloradas, noutras as flores começam a ficar feias com inexplicáveis manchas cinza escuro… e nos perguntamos –O que aconteceu, onde foi que errei? (Lendo este artigo retire você mesmo suas conclusões).
CONTROLANDO O FUNGO BOTRYTIS.
Algumas regras básicas devem ser obedecidas. Evite receber em seu orquidário pessoas que pouco conhece e se mesmo conhecidas estiveram momentos antes cuidando de afazeres domésticos em casa, preparando saladas cujos vegetais ou frutas poderiam estar contaminados ainda que num grau mínimo com esse fungo (e olha que essa possibilidade é grande!). Nessa turma dos “domésticos” incluímos nós mesmos.
Se não tiver como implantar um sistema de irrigação em seu orquidário por gotejamento no pé da planta (eu estou incluído nessa grande lista dos que não tem condições), regue seu orquidário evitando excessos e procurando atingir mais a área de enraizamento da planta que necessariamente as folhas e hastes florais. Esse borrifamento nas folhas só poderá e deverá ser feitas nas ocasiões de adubação foliar.
Plantas atacadas pelo Botrytis devem ser remanejadas para área de controle separada daquelas sadias, e quando estiverem secas, jamais removê-las úmidas, isto é, logo após ter molhado todo orquidário. As flores e folhas atacadas devem ser retiradas da planta, envolvidas em sacos de lixo e jogadas na lixeira, ou incineradas. Essa extração de flores e folhas atacadas, repito, deve ser feita com a planta sem qualquer umidade.
Em épocas chuvosas com muitos dias de chuva seguidos, encontre um forma de acomodar suas plantas floridas ou aquelas de folhas mais sensíveis como Phalaenopsis, Doritis, alguns Oncidiuns, enfim, orquídeas de folhas mais largas e suculentas, numa área da garagem, varanda ou alpendre com boa luminosidade e ventilação.
A falta de ventilação em nossos orquidários, aliada a alta umidade é outro grande fator de disseminação do fungo Botrytis.
A presença de algumas pragas (insetos) nos orquidários também é fator de disseminação de fungos, veja na foto pequena da Phalaenopsis detalhe do percevejo junto da coluna no labelo da flor contaminada.
Aplicar um fungicida químico com princípio ativo de clorotalonil, mancozebe ou bicarbonato de potássio (portanto tóxico para você, para a Natureza e para a planta e não recomendo), ou um fungicida orgânico como solução de água destilada com alho e cebola, ou calda bordalesa, ou calda de fumo, pasta de canela em pó. Mas dentre esses uma solução que descobri por acaso e teve ótimo resultado foi borrifando na folha de uma Oncidium lanceanum atacada (planta atualmente exibindo grande haste floral que será mostrada brevemente em artigo) 30 gotas de extrato de própolis diluídas em 300 ml de água filtrada. O ataque do fungo cessou e secou a parte atingida. Tratou-se de experiência com uma única planta, por isso não posso afirmar que funciona cem por cento em outras tantas. Registro a minha experiência como sugestão para os visitantes que quiserem experimentar. A calda bordalesa continua sendo um excelente tratamento contra fungos e bacterias, de fácil preparo e amplamente utilizada em orquidarios comerciais na prevenção e tratamento de antracnose em nossas plantas. Veja a fórmula e preparo AQUI.










Agora imagine estarmos nos deliciando com um delicioso cálice de vinho cujas uvas foram atacadas por um fungo, ainda que nobre! Com certeza não será uma experiência nem um pouco agradável!
Como tive uma Phalaenopsis atacada, que aliás está de quarentena, redobrei os cuidados. Passei a mexer nas plantas com avental e quando chove muito as coloco em lugar coberto como você recomendou!
Vou experimentar o propólis também nessa que está de quarentena.
Como forma de controle, além das medidas que você recomenda, me orientaram a utilizar fertilizante com alto nível de potássio.
Comprei uma orquidea no supermercado com as folhas apresentando umas manchas bem redondas, meio esverdeadas.
Confesso que na hora nem reparei e a misturei com as minhas orquídeas saudáveis! Imagine só!
Se for vírus, por fotos parece com um tal de “mancha anelar”, tenho alguma chance de salvá-la?
Abraços!
R.:Kátia, no meu pouco conhecimento sobre a parte virótica nas orquídeas, no manual de Pragas e Doenças do orquidólogo Darly Machado, (Editora Expressão e Cultura), mostra de forma meio superficial sobre o virus mencionado por você, conhecido como “ORSV – vírus da Mancha Anelar do Odontoglossum, existindo também o CyMV – Vírus do mosaico do Cymbidium e o OFV – Orchid fleck virus. Existem outros, mas os fatais são estes três. Aconselha incinerar a planta! Eu tenho uma Brassolaeliacattleya George King com as folhas tomadas provavelmente por esse tipo de virus tem algum tempo. Faz cerca de um mês passei a tratá-la de forma diferenciada, e tenho borrifado nela a cada 7 dias aquela solução de água com própolis. Dizer que notei benefícios, ainda não, parece que o problema estacionou, mas é muito cedo para afirmar isso. Manterei esse tratamento até que surjam novos brotos, já que o enraizamento novo está com aparência ótima. Se os novos brotos apresentarem-se livres da contaminação, manterei esse borrifamento preventivo periódico. Me perdoem os pesquisadores, mas não incineraria uma orquidea minha “nem a pau…Juvenal!!!” Sugiro separar a sua, mas com o mesmo carinho, passando a tratá-la com essa solução de água e extrato de própolis uma vez por semana. Abraços!
Excelente artigo! Mais uma vez você nos deu uma excelente aula sobre Botrytis.
Dr. Takane, em seu livro “Cultivo Moderno de Orquídeas: Phalaenopsis” diz o seguinte: Em dias nublados ou períodos longos de chuvas, é interessante utilizar o sistema de circulação do ar (ventiladores internos). Controle químico com fungicidas a base de iprodione, captan e tiofanato metílico também são eficientes“.
Abraços,
Vera
R.: Vera, tenho restrições preservacionistas no uso de venenos químicos em geral…mas se não tivermos outra escolha, numa situação mais drástica, principalmente tratando-se de orquidário comercial (não é meu caso) – com grande quantidade de plantas expostas a possível infestação – infelizmente o uso químico no combate é o mais viável e “rentável” aos produtores de plantas para comércio. Suas dicas, como aquelas da Kátia sempre acrescentam! Obrigado!!!
No boletim técnico do Instituto Biológico de SP, “Aspectos Fitossanitários das Orquídeas” (muito bom, depois te envio uma cópia) diz que muitas vezes embora os sintomas aparentem tratar-se de um ataque de vírus, não são!
As manchas anelares podem ser decorrentes de vírus, mas também de alta luminosidade, origem genética, variações da temperatura (color-break), intoxicação e fitotoxidade de defensivos aplicados inadequadamente e não ser vírus!
Existe um teste chamado ELISA.
Tem um artigo muito bom na internet sobre virus em orquideas estou de enviando por e-mail!
Como o seguro morreu de velho e por não ter coragem também de incinerar minha plantinha já comecei a tratá-la com propólis!
Abraços!
R.: Gostei dessa notícia, por isso devemos tentar até o último instante, pode não ser virus…melhor ainda!!! Aguardo o material que você enviará!!! Obrigado!!!
José Luiz, sou de Salto – SP, gostaria de saber se você sabe alguma coisa sobre o uso de sulfato de cobre para acabar com fungos nas orquídeas. Um abraço.
R.: Estimado Wilson, agradeço sua visita no Orquidário Cuiabá virtual. Desde a descoberta da velha e conhecida calda bordaleza acidentalmente em Bordeaux, em França, por um vinicultor francês que ao pintar os cachos de uva de seus vinhedos à beira da estrada com uma calda de cal preparada num tacho de cobre para evitar serem furtados, observou-se que mesma calda livrava as parreiras da antracnose…descobriu-se depois que era a combinação desses dois elementos quem combatia a doença. A partir disso espalhou-se pela França e mundo o uso da calda bordaleza, que nada mais é o preparo da cal virgem com sulfato de cobre e água, amplamente utilizada em orquidários profissionais como preventivo e curativo em diversos tipos de contaminação por bactérias ou fungos nas orquídeas. Particularmente prefiro essa calda, que não é agressiva às plantas nem a saúde humana. Veja AQUI seu preparo! Abraços!
Estou com um problemão. As folhas das minhas orquideas estão apresentando manchas pretas grandes que com o passar do tempo acabam furando a folha. As Phalaenopsis estão apresentando manchas pequenas nas flores e manchas amarelas e marrons nas folhas. O que devo fazer?
R.: Marianne, pode ser apenas antracnose, menos mal, e que pode ser controlada e combatida com o uso da CALDA BORDALESA, clique nesse link para saber mais; use dela borrifando toda a planta e pincelando os locais afetados com escova dental macia. Após preparo da calda bordaleza, como o pó da cal virgem não dilui totalmente, coe antes com um pano de prato para evitar entupir o bico do pulverizador. Com o início das chuvas, procure proteger essas plantas contaminadas do excesso de água e respingos nas que estiverem saudáveis e próximas contaminando-as também, por isso é bom deixá-las num local diferenciado. Evite molhar as folhas dessas plantas contaminadas…uma vez borrifada a calda bordaleza em toda a planta, com mais acerto na parte superior e inferior das folhas, passe a regar normalmente com água limpa somente a área das raízes. O excesso de umidade local e falta de ventilação ambiente contribuem para surgimento dessas doenças, bem como aparecimento de cochonilhas, estas são combatidas limpando o local onde infestam com uma escoval dental macia embebida em solução de óleo de nim.
Muito obrigada pela dica. Borrifei hoje as orquídeas contaminadas com a calda bordalesa. Eu devo repetir essa aplicação?
R.: Sugiro uma nova aplicação após 15 dias, entretanto se os sintomas de contaminação tiverem desaparecido não é necessário. Lembrando, a calda bordaleza é de uso geral, inclusive para plantas de jardins e frutíferas. Após a aplicação as folhas das plantas ficam “pintadas” com manchas branco-esverdeadas da calda e não devem ser limpadas…com o tempo e posteriores regas com água limpa elas saem. Locais mais afetados das folhas deverão ser pincelados diretamente com escova de cerdas macias embebida na calda. Abraços!
Apesar de já ter passado tanto tempo gostaria de agradecer sua ajuda. Segui exatamente a sua receita da calda bordalesa e as manchas estão ficando menores gradativamente, algumas já desapareceram. Mais uma vez muito obrigada e ainda está em tempo de lhe desejar um Feliz Ano Novo, muita saúde, paz e alguma grana no bolso – o que não faz mal a ninguém. Abraços
R.: Valeu Marianne! Obrigado e desejo o mesmo a você! Como sou um orquidófilo comum, espelho no meu blog a realidade da maioria, onde procuro desenvolver pesquisas no meu orquidário com vistas naquilo que a maioria tem em suas casas. Na minha visita em Holambra/SP, terra das flores, onde tudo é produzido em larga escala com fins comerciais, as plantas são cultivadas em estufas apropriadas e climatizadas, com altos custos de instalação e manutenção, onde conseguem minimizar fatores comuns que perturbam a todos nós, como o excesso de umidade e falha na ventilação de nossos orquidários, dois dos principais fatores que induzem ao aparecimento de cochonilhas, pulgões, podridão, fungos e bactérias. Digo isso para reafirmar que mesmo sabendo e praticando o uso da calda bordaleza etc…volta e meia me vejo com alguma planta infectada, principalmente agora na época chuvosa…meu orquidário não possui plástico de cobertura próprio, apenas telado de sombreamento…dai imagine a umidade ambiente nessa época!
Olá Sr. José Luiz, parabéns pelo sítio eletrônico. pela embasamento técnico, simplicidade e objetividade nos argumentos e orientações gratuitas sobre a problemática, diagnósticos e soluções para os amantes de plantas de orquídeas.
Ola tenho várias especies de orquideas mas uma de minhas phaleanopsis esta apresentando manchas amarelas redonda pequenas manchas redonda nas folha …O que pode ser…?? E como Tratar??
Lidiane
R.: Sugiro aplicar calda bordalesa na planta. Veja receita, modo de preparo e uso AQUI.
Estou tendo problemas com minhas Cattleya, os brotos fica pretos e apodrecem. O que faço?
Abraços.
R.: Fernando, pode ser a podridão negra, causada por um fungo. Sugiro comprar o livro do orquidólogo Darly Machado de Campos, sobre pragas e doenças de orquídeas, onde encontrará descrição disso e forma de combater. À venda com o próprio autor, seu email é: darly.machado@ig.com.br
Outra opção é enviar parte da planta afetada via sedex para o Instituto Biológico de São Paulo, cujo exame fitossanitário, que é pago, mas com taxa acessível. Veja no Google o endereço eletronico desse instituto.
Abraços
Estou tendo problemas com minha Phalaenopsis. Na folha maior apareceu uma mancha verde meio viscosa, como se algo houvesse raspado. Esse problema já está passando para outra folha. Sinceramente não sei o que fazer. O que poderia ser isso? Espero ansioso tua resposta.
Abraço
R.: Não entendi bem sua explicação, com foto via email (em Contatos na primeira pagina) seria mais facil ajudá-lo. Pode ser lesão provocada por lesmas ou caracois no período noturno, ou, ainda, um tipo de “mela” provocado possivelmente por bacteria. Abraços.
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