Substrato sabugo de milho - “corn cob substrate”

Excerpt: Organic potting mixes are the new tendency in Brazil in orchid cultivation. This article advices the use of corn cob for sympodial epiphytes

A busca alternativa de novos tipos de substratos para o cultivo de orquídeas tem sido uma preocupação da classe orquidófila no mundo inteiro. No Brasil, pais rico na diversidade de substratos, e com a incrementação agrícola, a produção de resíduos orgânicos de origem vegetal é considerável.  Muitos deles são empregados em larga escala na produção de ração animal e adubo orgânico, como a torta de mamona e torta de algodão.

Na indústria alimentícia, principalmente aquelas que beneficiam o coco-da-Bahia extraindo dele a água, castanha,  gordura vegetal e leite de coco,  grande parte do resíduo principal que é a casca   e noz dura interna, ainda não tem sido aproveitada como deveria, mesmo com o  crescente beneficiamento de sua fibra na indústria de artefatos automobilísticos (forro e enchimento de bancos por exemplo), microempresas de artesanato e as recentes fábricas de coxim, além do uso do pó extraído das fibras na compostagem de adubos orgânicos e corretivos do solo.

Uma parte mínima dele é aproveitada por orquidófilos brasileiros, apesar de sua presença na maior parte de cidades brasileiras  em carrinhos e quiosques de esquina vendendo sua água e pondo no lixo importante substrato, que poucos preocupam-se em apanhar nas lixeiras para desidratá-los para uso posterior no plantio de orquídeas. A dica de seu uso está no artigo SUBSTRATO DE COCO SECO. 

O agronegócio do milho produz  grande quantidade de resíduo chamado SABUGO, sem falar na palha, largamente usada na industria do artesanato…o sabugo como substrato ainda não foi descoberto pelos orquidófilos como deveria!  casca de arroz carbonizada é outro excelente substrato para orquídeas e pouco aproveitada, muitas empresas que beneficiam arroz , sem ter onde estocá-las, acabam botando fogo, transformando-as em cinzas. Pouca parte dela, incluindo o bagaço da cana de açúcar é usada em placas de aglomerados para uso na industria de móveis. Usinas canavieiras fazem bom uso do bagaço da cana, sem desperdiçá-lo, como materia-prima de combustão e gerador de calor para as caldeiras. 

Tamanho desperdício de substratos deve-se ao fato arraigado e ainda predominante em muitos orquidófilos e orquidários comerciais, do uso do xaxim, extraído da planta adulta de mesmo nome (Dicksonia selowiana Hook) no cultivo de orquídeas, apesar da proibição legal da extração dessa planta, a mesma ainda vem sendo extraída e vendida ilegalmente…e se isso ocorre é porque existe a procura. Falta consciência preservacionista  naqueles que compram e nos que extraem ilegalmente da Natureza.

Temos que o bom substrato é aquele que estiver disponível em grande escala na região onde moramos, seja de fácil manutenção e não necessariamente durável, mas que seja de baixo custo onde cultivamos nossas orquídeas.

Já pensou em avaliar na sua região, qual substrato oriundo de algum desses resíduos poderia ser usado no plantio de suas orquídeas, principalmente casca de arroz, casca de coco, além de outras tantas possibilidades, como a haste dura e fibrosa da folha de coqueiro, caroços de frutas previamente fervidos para quebrar sua germinação…etc..??? Pela diversidade da flora regional brasileira, e criativos que somos por natureza, podemos encontrar novos substratos para orquídeas nas localidades onde moramos, divulgando-os no meio orquidófilo. O blog do Orquidário Cuiabá está aberto a todos que quiserem manifestarem-se nesse sentido!

Neste artigo apresento o excelente substrato -

                                       SABUGO DE MILHO

De pH neutro, matéria fibrosa seca e porosa, livre do temível tanino. Bem preparado tem boa durabilidade para o plantio de orquídeas epífitas. Mostrou-se negativo quando misturado a outros substratos,sem ter passado anteriormente por uma “defumação” e carbonização parcial. Seu uso seco in natura, picado em gomos de tamanhos variados principalmente em vasos plásticos sem ventilação lateral, misturado a outros substratos, deteriora com o tempo,  transformando-se num pó parecido com terra orgânica que acaba sufocando as raízes da planta.

 

     PREPARO DO SABUGO DE MILHO COMO SUBSTRATO DE ORQUÍDEAS

 

Observando esse pequeno problema, como teste decidi carbonizá-lo parcialmente sobre a chama e calor de uma churrasqueira doméstica. 

Após fazer isso, foi lavado num tanque, apagando algum princípio de brasa e cinza, prejudicando seu aproveitamento total, em seguida raspei com uma faca o carvão superficial criado, enxagüei sob água corrente e usando de uma escova de lavar roupas esfreguei cada um para retirar qualquer resíduo de pó do carvão superficial que formou-se durante sua carbonização.

O resultado será uma superfície áspera, mas sem as dezenas de cavidades pequenas que tinha antes desse processo.  A “tostada” parcial externa do sabugo deve ser muito bem assistida para evitar que  queime demais, até porque muito seco pega fogo com facilidade. Se for sabugo muito seco, sugiro prévia hidratação, porque assim iremos carbonizar somente a área externa sem aprofundar muito.  

 Para pessoas que disponham  dele verde (muitas pamonharias, restaurantes e lanchonetes que usam milho verde in natura para seus pratos diariamente jogam no lixo os sabugos), é mais fácil esse tratamento de carbonização, pois iremos utilizá-lo também seco, mas com maior umidade interna que aqueles colhidos  há muito tempo.

Depois dos passos anteriores, usando de um pedaço de arame galvanizado  e duro (liga de aço), daqueles usados em cercas elétricas rurais, transpassei o miolo do sabugo, de consistência parecida com isopor, portanto fácil de ser retirado por movimentos contínuos de vai-e-vem do arame nessa raspagem, deixando-o oco, garantindo boa ventilação interna e secagem durante as regas  em nossas orquídeas resultando na maior durabilidade de sua estrutura.  

Em seguida usando sabugo aos pares, manterei os dois unidos com um pedaço de arame liso galvanizado nº 16 ou 18, caprichando no amarrado e anel do arame para dependurá-lo depois no orquidário.

O passo final é  plantar qualquer de nossas orquídeas epífitas neles, fixando-as com pedaços de fio telefônico.

As regas são normais e o enraizamento logo é notado. Nalguns casos deve-se guarnecer a base da planta com porção de esfagno para garantir maior umidade na brotação de novas raízes.

Vejas as fotos dessa explicação na galeria abaixo. Clique na foto para vê-la ampliada.

 

 

FAÇAMOS BOM USO DESSES SUBSTRATOS ALTERNATIVOS EM NOSSOS ORQUIDÁRIOS.    A NATUREZA AGRADECE!

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5 comentários para “Substrato sabugo de milho - “corn cob substrate””

  1. katia disse:

    Como material alternativo venho utilizando a brita misturada ao substrato e também o carvão. Gostei muito de colocar o isopor como fundo de drenagem não tenho observado aqueles ninhos de formigas que normalmente ficavam quando utilizava pedaços de cacos de cerâmica.
    Com isso estou recolhendo todos os pedaços de isopor que são jogados no lixo.

    Conheço pessoas que utilizam com sucesso tocos do cafeeiro, dizem que as plantas apreciam bastante!

    Achei muito interessante a técnica utilizada.

    Muitas pessoas acham que o cultivo de orquideas é um hobby caro, e você está provando que não!

    Para complementar o seu artigo:

    Segundo o orquidófilo e paisagista Masuji Kayasima que se utiliza do sabugo de milho há cerca de 30 anos com sucesso o sabugo mesmo depois de debulhado apresenta ainda nutrientes para as orquideas.Segundo ele a sua durabilidade é de 2 a 3 anos, tempo igual ao do xaxim.
    Aconselha que não sejam ralados, mas debulhados manualmente e devem secar ao sol, tomado cuidado se secar pouco dá fungo, se muito ele tem menor tempo de vida.
    Ensina que para saber se está no ponto basta bater nele. Se não soltar farelos e estiver firme pode ser usado.
    Recomenda que não seja secado ao forno, pois a sua durabilidade ficara reduzida.
    Recomenda tambem que a parte mais fina fique para baixo e a planta fixada em seu lado convexo para receber maior luminosidade. Se pendente coloque da metade para cima
    Aconselha amarrar com fio de lã e aponta como vantagem que na hora do replantio o sabugo estará deteriorado e se desfazerá nas mãos, não danificando as raízes (Como cultivar orquideas, 13)

    Abraços!!!
    R.: Katia, prefiro esse processo da “tostar” o sabugo na churrasqueira, porque ao contrário do que afirma Kayasima, a experiência que tenho é de que se não fizermos isso, mesmo secado ao sol, as trocentas “nervuras” tipo película saliente ao redor das cavidades que ficam após o milho debulhado, funciona como um depósito natural de eventual excesso de sais de adubação errada, fora que o enraizamento da orquídea não flui normal com tantas cavidades cheia dessa película e que não desintegra-se facilmente não, com o tempo endurece e fica até meio “cortante”. Pegue um sabugo qualquer com milho seco, debulhe-o e entenderás melhor o que afirmo.Sempre fui muito rural e disso entendo um pouco! O que faço,apesar de um pouco mais trabalhoso, reforça o potássio (P) natural da película combusta, deixando o sabugo “no cerne” mesmo. A durabilidade dele assim é maior que ele simplesmente seco ao sol…sem desmerecer o conceito acima do orquidófilo e paisagista.

  2. katia disse:

    Olá, meu amigo!
    Por favor gostaria de uma orientação quanto a melhor época para reenvasar as plantas.
    Sempre achei que a hora certa era quando ela começasse a soltar novos bulbos, portanto, não necessariamente após a floração.
    Entretanto, em um artigo passaram a recomendação que devemos reenvasar logo após floração e a cada 12 meses.
    Está correto?
    Abraços!
    R.:Essa prática pode funcionar com algumas pessoas, outras não. Como não sou comerciante de orquídeas evito o máximo fazer novas mudas e reenvasamento de minhas orquídeas. Ajo sempre pela observação e bom senso. Só reenvaso e faço cortes para novas mudas se a planta estiver em substrato deteriorado e já saindo fora do vaso. Nestes casos opto para fazer isso sempre na fase da lua nova para crescente (jamais na minguante ou transição da lua cheia para minguante) e após a floração, quando normalmente já estão surgindo pequenos brotos no rizoma ou base do pseudobulbo mais novo. Lembre-se que ao fazer novas mudas e for presentear alguém com algum exemplar, nunca de aquela muda da ponta, que irá florir no ano seguinte, fique com ela e dê aquela parte velha (trazeira), que demora mais a florir apesar de mais antiga. Orquidófilos inescrupulosos e espertos usam e abusam dos mais novos nisso quando eles mesmos se fazem experts naquela do “deixa que eu tiro as mudas pra você, conheço bem disso”, ficando com a parte “ponteira” e deixando pro dono e doador a parte velha…(risos!). No ano seguinte na conversa de cafézinho quem doou comenta “-Fulano(a) veja que estranho, não sei porque, mas aquela minha orquidea que você fez mudas, embirrou, tá bonita mas não floresceu! E o(a) esperto(a) na maior cara de pau responde: -Sério?!? …não acredito, pois você ficou com a melhor parte, a antiga, mais forte e bonita! E aquela parte da ponta meio fraquinha que peguei como seu presente, deu flores lindas!” …kkkkkkkk!!!! Ah se eu estiver perto numa conversa dessas amiga - vixe!!! boto o(a) safado(a) pra correr sob pau de guatambú!!!! kkkkkk!!!! Abraços!

  3. katia disse:

    Confesso aqui uma impropriedade, quando estava no meu auge como orquidoida saí dividindo todos os meus vasos, muitos ficaram com apenas um bulbo!!!!!!! Que horror!!!!
    Você deve imaginar o desfecho desse quadro sinistro, não é? Muitas plantas morreram, tive que recomprar muitas.
    Ainda bem que o seu blog surgiu a tempo de salvá-las desta “serial killerorquideas”
    Agora elas estão lindas! Estou tratando direitinho delas.
    É verdade que aquela parte que floresceu em um ano servirá como nutriente para a planta e não irá mais florir?
    Outra dúvida, como posso saber quando o substrato está deteriorado?
    Achei ótima a sua idéia para espantar espertalhões!!!!
    R.: (RS!)…gostei desse “serial killerorquideas”, ai juntamos com os(as) Doutores(as) Orchid Frankstein - pronto, par perfeito!!! Os pseudobulbos velhos serão sempre um reforço a vitalidade da planta como um todo. Ao fazermos o replantio o ideal é fazer a divisão a cada 3 pseudobulbos, observando a fase da lua. Alguns orquidófilos que conheço usam aquecer um bastão inoxidável ou ponta de uma faca, enfiando-o no rizoma entre os pseudobulbos, ou cortando-o no local, nas duas maneiras cauterizam o ferimento não permitindo ação de fungos ou bactérias, e mantêm a planta no mesmo vaso, sem mexer em nada mais além disso. Só irão remover a parte trazeira, ou os cortes (dependendo do tamanho da touceira), quando em cada um deles já tiver nascido o primeiro broto já crescidinho e saindo raizes, perto de onde foi feito aquela incisão e cauterização anterior. Dessa forma o estresse da planta é menor, e quando for completamente separada em novas mudas para novos vasos, todas estarão brotadas e saudáveis, pouco sentindo a mudança. O substrato deteriorado é aquele cujo xaxim já estiver esfarelando-se, ou o tronco ou casca de árvore apodrecido e virando uma papa quando molhado. Normalmente as raizes em tais situações, pelo excesso do pó ou farelo soltado durante as regas, entopem os microporos do velame, apodrecendo-o. Dai outra razão para usarmos o substrato sem compactar, sem espremer junto das raízes, por isso é que usamos varetas metálicas encapadas ou varetas de bambú como tutoramento. Todo substrato de orquídea epífita deve ser colocado de forma que permita aeração interna entre ele, planta e vaso. Abraços.

  4. Thiago disse:

    Saudações!
    Há aproximadamente 1 ano e seis meses venho me dedicando à orquidofilia. Como não tinha conhecimento algum sobre o cultivo de orquídeas, quase me tornei um “serial killerorquideas” também. Muitas vezes eu as plantei com terra, fazia regas diárias, enfim, cuidava delas com todo carinho e dedicação mas apesar disso elas não tinham um bom desenvolvimento e só não morreram por quê descobri a tempo o meu absurdo erro. Hoje eu as cultivo em vasos, com cacos de madeira envelhecida como substrato, mantenho regas regulares observando a umidade do substrato, aplico um fertilizante (NPK 4-14-8) + complemento vitamínico(vitaminas do Complexo B) periódicamente e estou obtendo excelentes resultados. Este substrato proporciona ótimas condições de arejamento e drenagem, além de ser muito fácil de encontrar. Possuo alguns amigos orquidófilos e um objetivo em comum: Conseguir obter mudas à partir de semeadura para fazer uma reposição de espécies endêmicas na nossa região e evitar que as mesmas desapareçam. Já realizamos um experimento com um meio de cultura à base de uma “vitamina de frutas” mas não atingimos resultados satisfatórios, uma vez que as sementes nem germinaram. Tomamos todos os cuidados mas falhamos em algum ponto. Temos agora algumas cápsulas “no ponto” e desta vez não queremos falhar. Será que poderia nos ajudar?
    Muito Obrigado!
    Obs.: Não temos de forma alguma a intenção de comercializar mudas e sim de preservar as espécies de nossa região.
    R.: Obrigado pela visita e explicações de sua forma de cultivo! Sobre propagação de orquídeas com a “vitamina de frutas”, já tentei também e não deu certo. Decidi diferente, irei fazer o curso de propagação via sementes e meristemas com o Dr. Darly Machado em Campinas/SP - no próximo dia 6 e 7 de novembro…taxa do curso R$300,00 - do que aprender lá, com certeza repassarei a pessoas interessadas com você, até porque é o Dr. Darly o criador desse tipo de germinação com o “coquetel de frutas”…tirarei minhas dúvidas no curso, depois repasso aqui no blog. Abraços!

  5. jose alan antao de brito disse:

    gostaria de saber a duração do sabugo de milho
    R.: Com o tratamento de semi-carbonização dado no sabugo conforme foi mostrado no artigo, sua durabilidade como substrato para epífitas chega a 3 anos em situações normais de uso. Submetido a excesso de umidade pode durar menos em razão do natural apodrecimento pelo excesso de água. Esse período para mim considero satisfatório, pois outros substratos nesse mesmo período estão em fase de troca seja por excesso de enraizamento da planta, natural apodrecimento ou compactação.

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