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Abelhas sociais sem ferrão – 2ª parte

26 fevereiro 2010 Um comentário

AS ABELHAS DO BRASIL

Segundo classificação de Moure, no Brasil ocorrem 6 famílias de abelhas:

abelhas sociais sem ferrão do Brasil
Estas 6 famílias podem ser divididas em 2 grupos:

1º- LAMBEDORAS: abelhas que lambem o néctar nas flores. Também chamadas de abelhas de língua curta (short-tongued bees):  Colletidae, Adrenidae e Halictidae.

Família Colletidae

bee Colletidae

São abelhas solitárias e geralmente especializadas nas plantas que visitam. Representantes desta família Colletidae são abundantes e mais diversificados na Austrália e na parte temperada da América do Sul. No sul do Brasil 44 espécies de Colletinae são conhecidas . Abelhas da tribo Paracolletini são comuns na região das Araucárias, e abundantes e morfologicamente diversas na parte sul do leste da América do Sul (sul do Brasil e Argentina). Poucas alcançam o norte e as áreas áridas do nordeste do Brasil. Gêneros mais comuns: Colletes, Hylaeus, Ptiloglossa, Tetraglossula (que visitam preferencialmente flores de Ludwigia), Perditomorpha (visitantes de flores de Malvaceae).

Família Adrenidae

bee Adrenidae

São abelhas especialistas, comuns em áreas secas. A maioria dos representantes dos Andrenidae no Brasil pertencem a subfamília Panurginae. Entre os gêneros mais comuns estão: Anthrenoides, Panurginus, Callonychium, Panurgillus, Psaenythia, Parapsaenythia e Cephalurgus. A subfamília Andreninae é quase inexpressiva na América do Sul.

Família Halictidae

bee Halictidae

A família Halictidae é uma das mais diversificadas no Brasil. Abelhas desta família apresentam brilho metálico verde, azul, avermelhado ou mesmo negro. Possuem diferentes níveis de sociabilidade que vão do solitário ao subsocial. A tribo Augochlorini está bem representada nas áreas de floresta tropicais, possui sua maior diversidade no sul do Brasil e Argentina. Como exemplos de espécies de Halictidae bastante comuns e bem distribuídas nas regiões sul e sudeste do Brasil podemos citar: Augohlora amphitrite, A. semiramis, Augohlorella ephyra, Augochloropsis cupreola, A. cleopatra, A. sparsilis, Dialictus opacus, Pseudagapostemon pruinosus, Pseudaugochloropsis graminea, Neocorynura oiospermi, entre outros.

2º- SUGADORAS: abelhas que sugam o néctar nas flores. Também chamada de abelhas de língua longa (long-tongued bees):  Megachilidae, Anthophoridae e Apidae.

Familia Megachilidae

bee Megachilidae

A família Megachilidae também é bastante numerosa. São abelhas de vida solitária, constróem seus ninhos com pedaços de folhas e restos vegetais ou utilizam orifícios em troncos. Abelhas desta família são encontradas com alta freqüência, principalmente em áreas abertas. Visitantes freqüentes das flores de Asteraceae e Fabaceae, o gênero Megachile é o mais diverso do grupo.

Família Anthophoridae

bee Anthophoridae

A família Anthophoridae é extremamente diversificada. Geralmente são solitárias, mas muitas espécies vivem em agregação, construindo ninhos próximos uma das outras. Entre os Anthophorideos estão os:

Centridini. Grupo de abelhas coletoras de óleo. Centris e Epicharis são abundantes nos trópicos úmidos, no entanto, Centris estende-se ao sul até regiões temperadas da América do Sul. Segundo SILVEIRA & CAMPOS (1995), 36 espécies de Centris ocorrem no Cerrado de Minas Gerais.

Eucerini.Algumas espécies de Eucerini, como por exemplo: Gaesischia fulgurans, Melissodes nigroaenea, Melissoptila bonaerensis, Thygater analis e T. chaetaspis são bastantes comuns no sul e sudeste do Brasil.

Exomalopsini. É um grupo bastante diversificado. Muitos gêneros e subgêneros são restritos a regiões temperadas da América do Sul, onde encontram-se muitas espécies endêmicas. Dentro da tribo Exomalopsini, temos outras abelhas coletoras de óleo, por exemplo: Paratetrapedia, Monoeca, Lanthanomelissa e Tapinotaspis. Espécies de Paratetrapedia (Lophopedia) são numerosas na Mata Atlântica da região sul e sudeste.

Emphorini. Tribo de abelhas exclusiva do continente americano. Ocorrem em áreas abertas e nas terras baixas.Espécies mais comuns e de ampla distribuição: Melitoma segmentaria, Ptilothrix relata e Ancyloscelis apiformis.

Xylocopini. Esta tribo inclui as abelhas carpinteiras do gênero Xylocopa que fazem ninhos em madeira. Popularmente também conhecidas como mamangavas, são boas polinizadoras das flores de maracujá.

Parasitas. Há uma grande diversidade de abelhas parasitas entre os Anthophoridade, com diferentes estratégias de parasitismo.

Família Apidae

bee Apidae

Com seus hábitos generalistas e sua condição social, a família Apidae apresenta o maior número de indivíduos. Esta família possui alta diversidade em zonas quentes de baixas latitudes (trópicos úmidos) e há uma clara redução dos seus representantes de norte para sul. Na Mata Atlântica em São Paulo foram encontradas 40 espécies. Entre os representantes da família Apidae estão os Meliponinae, os Bombinae e Euglossinae.

Os Euglossinae estão mais ligadas a áreas de mata e o número de espécies da região sudeste para o sul diminui drasticamente. Machos de Euglossini visitam orquídeas para coleta de fragrância.

O gênero Bombus da subfamília Bombinae é mais diversificado no hemisfério norte, porém algumas espécies são bastante freqüentes  no Brasil: B. morio, B. atratus e B. brasiliensis. Também são conhecidas como mamangavas, as abelhas do gênero Bombus fazem ninhos no chão.

Os Meliponineos são abelhas eusociais sem ferrão com distribuição principalmente tropical. Segundo Moure há 2 grupos principais de abelhas sem ferrão: os Meliponini e os Trigonini.

bee Meliponini e Trigonini

Saiba mais no Guia Ilustrado de Abelhas sem ferrão do Estado de São Paulo. Clique AQUI.

Créditos:

Texto e fotos do artigo original publicado no website do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo.

Coordenação:  Profa. Dra. Vera Lucia Imperatriz-Fonseca e Dra. Isabel Alves dos Santos (FAPESP)
Fotos: Sylvia Maria Matsuda (Pró-Reitoria de Pesquisa)

Um comentário »

  • Antonio Donizetti Senerini dito:

    Gostei das informações….

    Gostaria de saber, se ainda existem as tais abelhas europa sem ferrão.

    No caso afirmativo, como conseguir exemplares para uma cultura doméstica e familiar?
    R.: Antonio, em minha recente visita a Suiça (Genebra), no Jardim Botanico (veja a matéria aqui publicada), havia num dos canteiros, diversas caixas com colmeias de abelhas como essas que temos no Brasil, chamadas de abelhas africanas. Aquelas que vi lá, mansas e com pessoas próximas delas sem serem atacadas, com certeza não sofreram o processo da africanização ocorrido no Brasil. Notei também que algumas abelhas sem ferrão, parecidas com aquelas do genero Bombus, visitavam diariamente as floreiras da sacada do apartamento de minha sobrinha, tanto que fotografei delas nas flores de narcisos e jacintos. Acabei esquecendo de perguntar sobre isso ao pessoal do Jardim Botânico de Genebra, mas devo voltar lá ainda neste ano quando procurarei maiores detalhes. Uma das fotos que ilustram o artigo é de produtor de mel de abelhas sem ferrão, parece-me que da França ou Espanha, aliás, do “país basco”. Verificarei e depois informo via email. Acho meio dificil importar estas abelhas da Europa. Abraços.

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