Aprendendo com Hoehne designer
A criatividade artística do naturalista e botânico brasileiro Frederico Carlos Hoehne é incrível. Alem de estudioso autodidata do mundo botânico que foi, tornando-se pessoa respeitada nos meios científicos da época, no livro “Álbum de Orchidáceas Brasileiras”, mostra sua criatividade como designer, sugerindo inspiração nos formatos de plantas e flores da flora brasílica para compor figuras geométricas para ladrilhos e azulejos. Vejamos excertos do belo texto no capítulo:
“As Orchidáceas como elementos da arte decorativa.
Muito temos falado e escripto com o intuito de despertar entre nós o interesse sobre os motivos para estilisação que a nossa flora offerece, porque ficamos penalisados sempre que os vemos desprezados e substituídos por elementos que já foram interessantes há duzentos ou trezentos séculos, mas hoje são antiquados e mais do que batidos.
Os desenhos e motivos que utilisamos para enfeitar e dar graça aos tecidos, louças, ladrilhos, ferragens e estuques, verificamos que pouco, muito pouco temos progredido nas artes decorativas.
A grande maioria dos motivos usados e tidos como mais bellos, são os mesmos que alegraram os phenicios, assyrios, gregos, egypcios, romanos e outros povos de remotas eras.
Terá morrido o enthusiasmo para criar e formar cousas originaes e artísticas? … O espírito do artista moderno não se cansa, porventura, de copiar e reeditar, não enxerga este mundo de elementos e motivos que o rodeiam?
Nós precisamos crear cousas novas, que documentem o progresso das sciencias e a cultura artística, para que os advindos nos possam julgar melhor do que o farão pelos modelos que tornaram celebres os nossos antepassados de dois e três mil annos.
As plantas agrestes de nossas selvas e campos fornecem elementos melhores para estilisações que as rosas e os cachos de uvas, e as folhas das nossas trepadeiras indígenas são mais artísticas, mais bellas que as do acantho.
Aproveitar a flora e a fauna do paiz, como motivos para as bellas artes, foi o que fizeram os antigos e nós, querendo ser originaes, podemos e devemos fazer o mesmo.
Nossa flora e fauna são tão ricas de elementos para a estilisação, que qualquer gênero de plantas ou de insectos, poderá fornecer-nos motivos sufficientes para substituirmos, vantajosamente todos estes ornatos e desenhos que herdamos. Mas, a commodidade não nos permite sair da rotina, não nos deixa gosar o privilegio de ser original. E, por isto, nos convencemos a nós mesmos de que só é bonito e esthético aquillo que está consagrado como tal há séculos.
Experimentemos, uma vez ao menos, crear um ornato original, aproveitando folhas, flores ou troncos da flora brasílica e logo descobriremos que vale a pena ter-se o trabalho que isto exige. O prazer que invade a alma daquele que crea e elabora é sempre maior que o daquelle outro que se contenta em copiar ou reproduzir, modificando aqui e acolá, não raro para peior.
Aqui chamamos atenção especial para as nossas Orchidáceas indígenas, de que vimos tratando, porque justamente ellas nos parecem dignas de maior attenção, quando nos propomos a arranjar modelos originaes e incomparáveis.
Examinem-se, por exemplo, as flores dos Catasetums, das Cirrhaeas ou das Stanhopeas e aprecia-se os seus detalhes. Vejam-se ainda as flores das Cattleyas e Laelias e comparem-se as suas formas e coloridos com os das rosas.
Dirá, talvez, alguém: — São muito interessantes e bonitas, mas quem as reconheceria como flores reaes nos ornatos ou desenhos que se arranjassem com ellas? O acantho, as uvas e as rosas são conhecidas em todo o mundo e por isto convem usal-os.
Isto é verdade. Mas não esqueçamos que elles se tornaram conhecidos e queridos, deram fama aos povos que os lançaram, justamente porque foram applicados, divulgados e proclamados em altas vozes. E outro tanto precisamos fazer nós para tornar conhecidas as lindas Orchidáceas e outras bellas plantas que formam nossa flora indígena. Ellas podem fornecer-nos milhares de motivos originaes para as bellas artes, além de muitos elementos para estilisações. As suas flores, como os segmentos destas, teem contornos e coloridos que se prestam para toda espécie de ornatos, quer sejam para a architectonica, quer para as industrias de seda, lã e algodão, ou ainda para as de ceramica, porcellana e vidros.
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Examinem-se as illustrações que aqui expomos e diga-se, com isenção de animo, se temos ou não razão para recommendar as Stanhopeas, Gongoras, Cirrhaeas, Bifrenarias e outros gêneros de Orchidáceas como elementos preciosos para a arte decorativa.”
Saiba mais: No texto o autor cita “trepadeiras indígenas“, “flora indígena“ e “orchidáceas indigenas“. A palavra indígena significa ”nativa“, assim trepadeiras indígenas, flora indígena e orquídeas indígenas referem-se a plantas nativas do Brasil, e não plantas endêmicas de áreas indígenas. Esse termo era usado na época para referenciar uma planta nativa; eventualmente ainda encontrado em citações nalguns livros de botânica, mas em desuso.
Fonte: Livro “Álbum de Orchidáceas Brasileiras”, autor F.C. Hoehne, 1930, excertos das pp. 234 até 240 (texto no original mantendo-se o português da época). Ilustrações geométricas constantes do livro.
Fotos: Arquivo do Orquidário Cuiabá.
Photo Epidendrum raniferum by ami_b @ Flickr










além de tudo o que fez como naturalista e botânico ele ainda tinha uma inclinação como designer. Impressionante!
Mas, nesse aspecto ele ficaria bem satisfeito, pois acho que os nossos artesãos estão se aproveitando um pouco mais da exuberância de nossa flora e fauna.
Tenho visto trabalhos belíssimos em telas, tapeçaria, e até peças de vestuário inspirados em nossas queridas orquideas.
Abraços, Katia
You have a actually interesting weblog. Too a lot of blogs that I see now don’t really present anything that I am considering, but I’m definately enthusiastic about this one and their hundreds marvellous orchid´s pictures. Just imagined that I would pass that message on. Congratulations!
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