O Jardim Botânico de Genebra
Localizado próximo dos belos jardins que circundam o grande lago Léman e a sede da ONU -Organização das Nações Unidas, o Jardim Botânico de Genebra (Le Jardin Botanique de Genève) é um dos pontos turísticos obrigatórios no roteiro de visitas de qualquer pessoa que goste da Natureza. Deveria ser ponto obrigatório também para administradores públicos latino-americanos (e com certeza de brasileiros) como referência de seus projetos de utilização de áreas verdes em suas cidades e municípios.
Todo espaço do Jardim Botânico de Genebra foi projetado para ser utilizado de forma racional em benefício do seu fim maior, preservação de espécies botânicas aliada ao uso da população no convívio com a Natureza. Assim, além das estufas climatizadas com estrutura metálica e vidro abrigando plantas exóticas de países tropicais (como palmeiras, cactos e pé de mamão, por exemplo), existem uma área de lazer destinada ao uso de crianças que podem brincar tranquilamente com brinquedos comuns feitos de madeira, ou simplesmente sujar-se com areia existente no espaço.
Por isso é proibido circular com animais dentro do jardim, o que já não ocorre na imensa área verde junto do lago Léman, mas nem por isso sem suas regras de uso – obrigatório a guia para conduzir cachorros (o povo de Genebra adora animais, assim como levá-los a passear) e a coleta de excrementos eventuais, para isso existe os saquinhos gratuitos (caninettes) em caixas espalhadas pelos parque.
Todos os canteiros do Jardim Botânico possuem placas indicativas da planta (ou plantas) ali existente com nome científico, nome comum e do pais de origem. No espaço denominado terraço das 10 espécies de plantas medicinais e utilitárias (Les “terraces” des Officinales et Utilitaires”, estão plantadas ervas e arbustos de diferentes regiões do mundo com explicações detalhadas de seu uso medicinal ou como alimento, nas placas sugestivas com desenhos ilustrativos.
No inverno europeu desse cantão suíço de língua francesa, ainda encontramos neve nas montanhas dos arredores (cordilheira dos Alpes) e o belo Mont Blanc, que dá nome a famosa marca de canetas e relógios, sendo necessário cobertura plástica durante o inverno nos canteiros de plantas perenes oriundas de outros países de clima quente ou tropical.
Com o início da primavera, os jardineiros (homens e mulheres), começam os cuidados de toda área verde, limpando canteiros, fazendo a manutenção, adubando…enfim, todo o necessário para que as plantas estejam sempre bonitas e viçosas.
Dirigi-me a uma dessas profissionais do parque, como não falo francês, o fiz em inglês, usando uma frase em francês previamente decorada e ensinada por minha sobrinha e esposo, que me hospedam em Genebra: –S´il vous plaît, parles vous anglais? (Por favor, você fala inglês?). E ela, solícita, parou o que estava fazendo nos cuidados de um canteiro, respondeu-me em inglês, “Yes sir, May I help you?” (Sim senhor, em que posso ajudá-lo?). A partir disso perguntei-lhe sobre uma planta existente no canteiro vizinho, com belíssimas flores e que agora está literalmente “explodindo” em sua exuberante floração pelos jardins e floreiras das casas de Genebra, nos tons branco, amarelo e violeta. Essa moça que educadamente atendeu-me não só disse o nome da planta, Crocus, como escreveu-me num papel o endereço de onde poderia encontrar bulbos dela para comprar, numa das floriculturas da cidade. Essa experiência em Genebra só confirma uma coisa, a educação de um povo faz a diferença. A gestão da coisa pública deve ser encarada com seriedade, como gestão de uma empresa, sem fisiologismos ou “cabide de empregos” e onde os ocupantes de cargos ou funções devem ser escolhidos por competência prática, conhecimentos técnicos e funcionais, jamais por “apadrinhamento”.
Por outro lado não podemos culpar governantes, se de nossa parte não nos aprimoramos. Um exemplo disso, enquanto cultura, está no aprendizado de diversos idiomas. Em Cuiabá, por exemplo, como em diversas capitais brasileiras, em Universidades como a UFMT e UNIC, existem bons cursos de extensão de idiomas e abertos a qualquer pessoa sem necessidade de vestibular ou exame seletivo, principalmente inglês, espanhol, francês e até mandarim (chinês). As taxas cobradas são praticamente irrisórias,quase de graça. Entretanto o interesse da população é mínimo – no curso de francês que iniciei ano passado , éramos em 30 – terminamos o semestre com apenas 8 alunos. Resumo, este ano pode não acontecer a sequência do curso por falta de interessados.
Isso é culpa de prefeitos, vereadores, governadores ou presidente da república? É claro que não.
Encantou-me a visita nas estufas climatizadas com plantas tropicais. Naquela onde havia um pé de mamão, cafeeiro dentre centenas de outras plantas, cheguei a assustar-me com a temperatura interna, em torno de 30 graus Celsius – quando lá fora a temperatura era de prováveis 16 graus Celsius. Cactos bola gigantes chamam a atenção dos visitantes no setor de plantas de regiões áridas.
Em estufas externas menores, uma seção exclusiva de plantas carnívoras, noutro canteiro, somente iridáceas, centenas de espécies delas. Num outro próximo, outro tanto de tulipas, começando a despontar suas hastes. Logo estarão todas floridas.
Um pinheiro com tronco duplo, dependendo da posição do observador proporciona curiosa forma geométrica, lembrando um violão invertido, nem todos percebem isso, afinal o bonito paisagismo do local tem tantos detalhes que é quase impossível não fixar-se num ângulo de observação em detrimento de outro.
O uso do espaço público das áreas verdes dos jardins e parques de Genebra é aberto a todos, que podem tranquilamente caminhar, brincar e até deitar nos gramados, num convívio harmônico com a Natureza. Mas é terminantemente proibido coletar “mudinhas” de plantas ou arrancar flores dos canteiros. Atitudes que contrariem tais normas podem levar o infrator a pagar pesadas multas e até prisão. Os próprios moradores denunciam quando algum vândalo age e a presença da polícia é imediata.
Para visitar o Jardim Botânico de Genebra é simples, pode-se ir a pé, na sequência do parque do lago Léman, ou pegando o ônibus numero 1, na gare central (gare significa estação de trem) , na Rue de Lausanne, descendo no ponto junto do Jardim. Paga-se pelo ticket de ônibus apenas 3 francos suíços. Diferente do Brasil, os motoristas dos ônibus coletivos urbanos não abrem a porta para as pessoas entrarem quando saindo da gare. Cabe a pessoa apertar um botão externo junto da porta para que esta abra. Isto acontece porque os ônibus são climatizados em razão do clima frio, e nem todos que estão na plataforma aguardando embarque irão no mesmo ônibus – e manter a porta aberta sem saber quem irá entrar resfria seu interior. A população de Genebra é educada e atenciosa para prestar informações, mas uma palavrinha mágica é essencial a qualquer início de pedido de informação -”S´il vous plaît” -”Por favor”. Infelizmente não encontrei no Jardim Botânico de Genebra orquideas europeias, e aquelas hibridas ou especies tropicais, dentre Dendrobium, Oncidium, Renanthera, e outras, apenas uma Vanda e uma Dendrobium estavam floridas. No Brasil, nossa referência maior em espaços verdes melhor organizados estão nos Jardins Botânicos do Rio de Janeiro, São Paulo e nas bem cuidadas areas verdes de Curitiba. Abaixo outras fotos das estufas em Genebra. 















José Luis, linda matéria. Curiosamente, não poderia deixar de comentar o que aparentemente não se veria: ao lado da dendro, a miltônia que está com força total, rsrsrsrs. Mas a vanda é sempre um espetáculo à parte,mas esta aí é uma grata recordação para você. Mas também o pinheiro, é deveras impressionante, tudo muito lindo, que bom poder curtir coisas nossas estando longe e muito longe. Que a Europa lhe inspire mais matérias como esta. E que os nossos Governantes sejam mais sensíveis ao ponto de entender que o que temos é muito precioso, e que não somente a Amazônia é importante, mas também pequenos espaços podem se transformar em lugares especiais, diga-se de passagem o Aterro do Flamengo, sempre bem cuidado,mas que não seja somente por lembrar de Burle Marx, mas também para manter viva a genialidade do paisagista e o seu amor pela natureza. Parabéns, Sandra.
Lindo demais! Aquela foto da árvore com folhas amarelas e o espelho d’água me impressionou parece uma pintura de Renoir!
Os pinheiros com o formato de violão é espetacular. E a “barba de velho” enorme? É tudo realmente incrível, sem palavras,…
Fiquei pensando o que eles pensam de nós quando visitam o nosso País. No mínimo que somos um povo muito mal educado, veja a sujeira largada nas ruas, poucas pessoas tem o cuidado de jogar o lixo nas caixas coletoras e ainda fazem coisas piores!
Um colega comentou (com vergonha) que jogou um papel na rua em uma cidade européia não me lembro qual e chegou a ser advertido por um policial. Acho que esta é a diferença, além de eles contarem com a boa educação do povo eles ainda tem quem fiscalize qualquer ato de vandalismo com punições exemplares. Diferente de nosso País, que criam leis, leis e mais leis que não “pegam”,….
Linda a matéria, que belo passeio você nos proporcionou.
Katia Maria
Deveras lindo. Tanto lugar abandonado e cheio de lixo que poderia ser transformado, nas cidades, em pequenos paraísos, e nem precisaria ser tão exuberante como este; assim já bastaria para justificar a existência humana: o convívio pacífico com a natureza. Quando nossos administradores abrirão os olhos? E quando nós seremos suficientemente educados para preservar e não destruir?
Parabéns pela matéria.
Socorro Cantuária
Boa tarde Luiz! adorei visitar esta pagina! um colírio para os olhos!!!!
vc sabe me dizer o nome daquelas plantinhas que estão no canteiro, parecendo flores, mas me confundiram ….se são flores ou suculentas?
obrigada!
grande abraço!
R.: Ana, nao sei a qual foto voce se refere. Se aquela em tamanho menor mostrando diversas plantinhas entre pedras, muitas são suculentas. Se for aquela foto onde aparecem duas moças trabalhando um canteiro com plantas de folhas cor branco-creme, como que floridas e em destaque, ali são dezenas de plantas diferentes plantadas juntas…como eram muitas, sinceramente não anotei o nome de cada plaquinha existente junto dos lotes, mas nenhuma delas, nesse canteiro, eram suculentas. A outra foto mostrando apenas flores cor violeta “saindo” do chão, são as belas “crocus”, que infelizmente nao encontrei bulbos para comprar, segundo informações de uma vendedora de uma floricultura que visitei, bulbos de crocus somente estarão disponiveis no mercado local entre outubro e novembro. Observe que as fotos deste artigo, clicando nelas apos abrir noutra pagina, ela abre no seu tamanho total, ocupando todo o ecrã (desk-top), quando se é possível ver maiores detalhes e até alguns nomes escritos nas plaquinhas. Abraços.
zé do ceu que lugares lindos… acho que o paraiso para onde vamos é parecido com esse jardim!
José Luiz,
Adorei a matéria, sua viagem deve ter sido encantadora.
Estou no aguardo pela abertura de seu orquidário.
As orquídeas que comprei e lhe enviei fotos estão lindas, com folhas novas brotando e a Dendobrium está com algo parecido como raízes em um dos bulbos, posso lhe enviar uma foto para confirmar minha suspeita?
Abraços,
Mirella.
R.: Sim, mande e vamos tentar ajudar! Abraços!
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