Revisitando o santuário da Cattleya araguaiensis

Na primeira semana de outubro viajei até Luciara, no interior de Mato Grosso, junto do rio Araguaia para votar e rever amigos, hospedando-me na casa da amiga orquidófila Maria Iraene. (Atenção - clique em qualquer foto para ampliá-la! Click in a photo to enlarge it!) 
  
          VIAJANDO! 
 
Deixei Cuiabá passando por Chapada dos Guimarães, Campo Verde e Primavera do Leste  rumo a Barra do Garças. Nesta cidade, na falta de estacionamento próprio deixei o carro numa garagem de venda de veículos. À noite  fui pra rodoviária esperar meu ônibus (preferi assim, a rodovia federal transforma-se em estrada sem pavimentação a partir de Ribeirão Cascalheira,  provocando muita trepidação e estragos no carro).
Na sala vip da Barrattur fui saudado por uma linda borboleta azul que pousou perto dos meus pés e pude fotografá-la. Sai de Barra do Garças por volta de 22h, viajando a noite inteira, acordei pela manhã e de dentro do ônibus fiquei observando a paisagem lá fora, muitas áreas de pastagens, e vários coqueiros bacaba, cujo fruto produz delicioso suco rico em gordura natural e muito usado pelo sertanejo da região do baixo Araguaia (época da fruta, aproveitei para deliciar-me com o suco na casa de Iraene e Dora). Por volta de 11h do dia seguinte chegamos no entroncamento de Luciara. 
A querida Luciara! 
Cheguei numa época de pouca chuva na região e muito calor. A cidade é pequena mas aconchegante e a população amigável e hospitaleira! Preferi fotografar casas mais antigas e comuns na região, cobertas com palha de coqueiro…no calor do verão fica fresquinho dentro delas! Crianças espontâneas viram-me fotografando pediram para serem fotografadas também! Pessoal simples e maravilhoso. Margeando o Rio Araguaia, a cidade é beneficiada por praias de areias brancas onde encontramos o boto emergindo para respirar, e gaivotas voando perto das praias. Existem dois tipos delas, uma que faz o maior barulho com vôos razantes sobre nossas cabeças quando nos aproximamos de suas ninhada, e outra maior de plumagem escura, que voa razante sobre o espelho d´água, riscando-o com o bico.  Os pequizeiros ao redor da cidade estão carregados, logo é época dos frutos maduros cairem… cheiro forte e sabor exótico!
Saudades, no morro da areia, além da dezena de pés de mangava lotadas de frutos amadurecendo, encontrei também pés de mutamba!!! Que delícia essa frutinha áspera, cheia de sementes com uma película de gelatina adocicada com sabor lembrando a uva-passa. Mastiga-se ela toda, com a casca seca e semente, como um chiclete, sugando a papa formada pela mastigação…depois, bem…depois gospe-se fora. Segundo Iraene, engolir da semente pode literalmente travar tudo depois!
No santuário da Cattleya araguaiensis
Tiramos o sábado para  visitar do outro lado do rio, a Ilha do Bananal, maior ilha fluvial do mundo e geograficamente no Estado do Tocantins.
A Ilha do Bananal é reserva indígena karajá e habitat de diversas orquídeas, as mais conhecidas são a Rodriguezia lanceolata, Ionopsis utricularioides (interessante que estas duas, numa trilha de uso comum do pessoal que eventualmente transita pela ilha, de um lado encontramos apenas Ionopsis e do outro somente Rodriguezia), Oncidium cebolleta, Aspasia variegata, Brassavola perrini, Notylia, Macradenia, Encyclias linearifolioides e patens, Lockhartia lunifera, Cattleya nobilior var. amaliae, e uma exótica endêmica exclusivamente dessa região do rio Araguaia…a Cattleya araguaiensis.

No caminho onde iriamos encontrar muitas touceiras dela, alem de dezenas de seedlings nativos, deparamos com muitas plantas tipicas da mata da ilha floridas. O cipó sambaibinha, que segundo Iraene, arranha e possui um pó que provoca alergia em algumas pessoas, repleto de frutos, cresceu sobre outra planta que estava florida e perfumada, e não soubemos identificar.
Bem cedo, antes de sairmos de casa, Iraene telefonou para nossa amiga Geovania, também orquidófila e que tinha passado uma noite torturada com crise de asma…não pensou duas vezes ao convite, logo arrumou-se e chegou na casa de bicicleta. Segundo ela, o maridão Abí comentou: -Não te entendo, passou a noite inteira agoniada com a asma, mas foi só falar em ver orquídeas “já sarou”!
Geovania  tem uma boa explicação para isso - se renova no contato com a planta em seu habitat!   Depois que descobriu a paixão por orquídeas, para de fazer qualquer coisa quando o assunto é visitar habitat delas, na mata ainda intocada em muitos pontos da ilha, praticamente selva, e com as características da transição natural da vegetação típica da Amazônia legal, mas ainda com muitas plantas típicas de cerrado, como a lixeira e jatobá.
Aliás, num alto e frondoso jatobá, deparamos com uma touceira de C. nobilior var.amaliae florida (dificilmente encontra-se a nobilior tipo na Ilha do Bananal).
À beira da trilha encontramos uma árvore praticamente sem copa, com ela (var. amaliae) florida (veja foto).
Beomon, marido de Iraene e dono da canoa estilo karajá, feita com tronco de landí, cortou com seu facão um palmito de tucum para comermos. Providencial, já estava com fome. O palmito de tucum é suave e ligeiramente adocicado…muito gostoso!
Entre uma e outra saida da trilha adentrando a mata para admirar a beleza das orquídeas vegetando naturalmente, a fome bateu em todos. Sentados “à beira do caminho”, fomos comer da deliciosa farofa acebolada de carne do sertão com farinha de puba feita por  Iraene, maranhense de origem, sabe como ninguem preparar uma boa farofa!
Num trecho da ilha encontramos um santuário de Cattleyas araguaiensis, tal a quantidade de touceiras umas perto das outras, e quando não, muitas plantas delas menores, vegetando nos troncos das árvores. Observei que a luminosidade natural proporcionada pela copa das árvores altas girava em torno de 70% de sombra.
Depois de muito andar por caminhos lembrando a selva amazônica e cheios de cipós, (na época das cheias do Araguaia entre dezembro de fevereiro, quando a ilha é praticamente toda alagada, esses cipós que possuem tuchos de raízes escuras, parecendo xaxim, tocam a água das cheias ricas em nutrientes) bateu hora de voltar. Passamos um meio-dia de sábado agradável na mata,  entremeando nosso passeio e observações sobre as plantas, com conversas sempre falando de orquídeas e relembrando boas histórias acontecidas conosco anos antes… certa vez Iraene e eu estivemos na ilha visitando um santuário de Oncidium flexuosum e nos perdemos, até achar o caminho da volta onde deixamos o barco, escureceu e foi o maior problema porque acabei ferindo-me num dos olhos com ramos de plantas no escuro, a ponto de uma semana depois ter que pegar um taxi aéreo até Gurupi, no Tocantins, para tratar-me com oftalmologista - do contrário ficaria cego de uma das vistas. 
Voltando a nossa exploração do habitat da Cattleya araguaiensis, Iraene e Geovania  se distanciaram de onde Beomon e eu estávamos; acabaram perdendo-se - a lá vou eu no meu “vigor de cinquentão” subir num tronco curvado para assoviar e gritar para que as mesmas identificassem a direção pelo som. Quando nos encontraram, Iraene não se deu por vencida - e pra não se fazer “a que quase se perdeu pela ilha”, disse que no momento em que eu gritava, estavam apreciando touceiras de Rodriguezia e Notylia floridas….e eu perdi o visual para fotografar! Paciência..pelo menos eu não fiquei quase perdido, preferi ficar próximo do Beomon - mateiro que só, conhece a Ilha do Bananal quase que como os karajás! E você me pergunta:-E o Beomon, nesse momento o que fez? …ficou na dele divertindo-se com a situação do macaco velho trepado na árvore gritando e assoviando, e bem ao longe, ecoando na mata os gritos de Iraene tentando achar o caminho até onde estávamos!!! Eita! Beomon divertiu-se dizendo: -No mínimo a Irá deve estar vindo arrebentando tudo no peito, vai chegar aqui toda arranhada!
Num momento de nossa caminhada pelo habitat, deparamos com um monte de dejetos de anta já antigo pelo caminho.
Curioso, vi que existia um  cilindro vermelho no meio…e pensei…será possível que em plena Ilha do Bananal deixaram alguma coisa plástica e o animal comeu?  Não me fiz rogado, agachei e com um pedaço de pau remexi as bolotas de dejeto (parecem excrementos de cavalo, só que bem maiores!)…e olha só o que encontrei: -Uma semente de jatobá germinada! …naquilo que pensei fosse um pedaço de cilindro plástico vermelho!
Superinteressante para mim esse detalhe! A prova de que a Natureza por si só se refaz quando não tem a interferência do ser humano. O animal deve ter comido o fruto do jatobá noutro lugar distante, e defecou ali…a dura semente encontrou ambiente propício no estômago do bicho, e expelida acabou germinando ali!

 Um outro detalhe interessante que observei nesse passeio foram os montinhos de humus das minhocas da ilha do Bananal, bem clarinhos, quase brancos, um misto de argila e areia fininha! Diz Iraene que em alguns lugares de campos nativos dentro da ilha existem tantos desses montículos espalhados pelo capim nativo que transformam a paisagem.  
Num outro momento deparamos com centenas de mandaruvás majestosamente pintados de vermelho, branco e pintas pretas formando verdadeira colônia fechando um tronco de árvore! Segundo Iraene, tais bichos, quando estão assim reunidos num processo pré-casulo para a metamorfose, nem aves  predadoras se aventuram a bicá-los, pois são super-venenosos. Ao exclamar em bom som um “-Nossa!” - percebemos que no meio da colônia, aleatoriamente,  alguns mandaruvás erguiam rapidamente a cabeça a cada repetição da palavra…como se fossem sentinelas!  Lindo demais! Apesar do perigo de tocá-los e sofrer uma boa queimadura com sua toxidade acabei tirando um deles com uma vareta para fotografar o detalhe de sua forma e cor de perto! Foi restituido depois no lugar onde estava.
No caminho da volta , cruzamos com pequenos lagos de onde voava um e outro socó. Volta e meia ouviamos do alto da copa das árvores, passando em vôo ruidoso, casais de araras ou papagaios!

Noutra passagem, pés de oití carregados! Ainda verdes! hmmm…são deliciosos quando maduros, polpa finíssima amarelo-esverdeada e casca fina, uma película que não necessita ser retirada; logo estarão maduros e não estarei lá para experimentar! Quase imperceptível, ouvíamos de algum ponto da mata ao longe sons parecidos com o ronco de motocicletas…eram famílias do macaco guariba na sua vigília. 
Encontramos frutos de bacu-paris maduros caidos pelo caminho, polpa amarela suculenta e gostosa…mas muitos tinham bicho! Pena!
Noutro lugar muitos arbustos carregados de azedinha, uma fruta pequena e que “mata a sede” de quem não tem água até chegar no rio Araguaia.
Havia também uma fruta seca aberta, muito bonita, cor liláz, quase púrpura com trocentos espinhos miudos agrupados, parecido com espinhos de pequí.
Encerramos com chave de ouro nossa expedição pela ilha do Bananal, que nas épocas secas do ano, principalmente em agosto e setembro, com muito capim seco, é vítima de queimadas irregulares e proibidas, mas que acontecem todos os anos, destruindo muito nicho ecológico com orquídeas, e outras plantas.  Segundo Iraene, a fumaça provocada pelas queimadas deste ano foi tanta, que parecia nevoeiro pela cidade de Luciara, não se visualizava nada a mais de 10 metros de distância! Infelizmente nem tudo é belo naquilo que parece um paraíso…apesar da eventual presença de agentes de órgãos federais e estaduais seja de barco ou helicóptero na região - o que é raro. 
Existe naquela região luciarense e mesmo na ilha, uma árvore chamada  ”cinzeiro”, que é excelente habitat de diversos tipos de orquídeas, principalmente da Oncidium flexuosum, e outra chamada “cega-machado”, também habitat, principalmente da Oncidium cebolleta.
Iraene já plantou no quintal da casa pés de cinzeiro, a na tarde do sábado, andando pelo cerrado vizinho de sua casa, no morro da areia, onde pude degustar de diversos frutos da mangava, encontramos duas árvores de “cega-macho” com sementes, que logo foram colhidas para ela fazer suas mudas!
Foi uma viagem maravilhosa apesar da distância percorrida de carro e ônibus, onde cumpri com meu dever de cidadão nas eleições municipais e pude rever lugares e pessoas que há muito não via, registrando  aqui para o visitante minhas impressões de um pedaço desse nosso maravilhoso Brasil nativo desconhecido de muitos!
 Oops! Um mico meu! E conto! No cerrado perto da casa de Iraene, no tal , cheio de pés de mangava, essas árvores de folhas verde claro, mostradas nesta foto, e de onde avista-se o rio Araguaia e lá no fundo a ilha do Bananal, tem também uma planta arbustiva chamada calunga! Produz frutos parecidos com ameixas gigantes. O cunhado dela, Samuel, que estava conosco na tarde do sábado, quando fomos conhecer onde ele tinha encontrado um tubérculo de Amorphophallus na barranca do rio Araguaia (veja fotos atualizadas na matéria “My Amorphophallus is blooming“), achou alguns frutos de calunga maduros. Na minha curiosidade quase infantil, acabei mordendo um! Ah credo! Vai amargar assim lá na casa  do jiló, almeirão e boldo do Chile! E o cheiro estranho que a polpa avermelhada da fruta tem! 
“Cada garça que voa, me faz pensar - para onde ela vai,  qual será o seu lugar? Lembra dos minaretes de Bagdad, onde jamais estive mas não canso de sonhar…”   Pare de sonhar e decida-se! Pegue sua mochila e saia a conhecer nosso Brasil maravilhoso!

Tags: , , , , , , , , , , , , ,

14 comentários para “Revisitando o santuário da Cattleya araguaiensis”

  1. Almerinda disse:

    Jose Luiz, fiquei maravilhada com sua foto-reportagem! Literalmente viajei com voces lendo o texto e apreciando cada uma das fotos. Luciara e uma cidade privilegiada. Parabens! Vendo o habitat da araguaiensis e outras mencionadas, temos uma melhor ideia de como cuidades delas em nossas casas! Abraços
    R.: Obrigado pela visita! Visitando habitat de orquídeas é que temos a verdadeira noção de como cultivá-las! Luciara é uma cidade muito agradável, vale a pena uma visita, apesar da distância! Abraços.

  2. Vera Coelho disse:

    José Luiz, que viagem maravilhosa você fez na companhia dos amigos. Desbravar a natureza, os rios, descobrir plantas e flores é realmente mágico, único! Com a sua narração acabei viajando também e me sentindo uma personagem neste santuário ecológico.
    Agora me diga, é possível cultivar a Cattleya araguaiensis no Ceará? Se vegeta a beira do rio Araguaia, com tanta umidade, não sobreviveria na nossa região. E ainda tem gente que insiste em retirar orquídeas desse tipo de habitat. Abraços, Vera
    R.: Vera, acho até que a C. araguaiensis iria bem ai, com os cuidados normais de luminosidade e umidade. Devido a seca pela qual passa aquela região do Tocantins e Mato Grosso (Ilha do Bananal e Luciara), observamos que algumas Rodriguezias e Ionopsis, expostas a sol pleno não aguentaram e morreram secas! Claro que à noite a grandiosidade do Rio Araguaia permite uma maior umidade ambiente na mata, mas não resolve com a falta de chuva que dura há meses. A Natureza é sábia e em muitos casos contorna isso, como as C. araguaiensis, que sempre vegetam nos troncos numa posição que ficam protegidas do sol a pino! Com as Rodriguezias e Ionopsis, que vegetam em galhos finos e cipós e mais expostas…infelizmente a história é outra! Abraços!

  3. iraene disse:

    zé até eu que fui junto, viajei de novo com sua narração! As fotos ficaram lindas e vc danadinho heim! tirou algumas que eu ñ tinha visto parabéns e pra vc um grande abraço! E olha te espero em janeiro para irmos no habitat da Brassavola e das Violaceas! Olha zé vou postar no seu email fotos de pussá preto da arvore inclusive e do amarelo acho que vc conhece são frutas muito apreciadas e são do morro de areia aqui perto de casa… esqueci de te levar la mas vc vai se sentir lá pelas fotos. São emparelhado com o habitat daquela plantinha que vc me deixou monitorando logo do outro lado da cerca… vai tambem mangaba e bacaba
    e como ñ podia faltar minhas meninas C.violacea!
    R.: Irá! Obrigado pela visita e boas novidades! Não me lembro de puçá (ou pussá…sei lá) ai perto, devo ter comido quando morei ai mas não me recordo, e andamos tanto pelo morro da areia e vc se esqueceu! Aguardo tuas fotos, principalmente da violacea para eu botar no artigo dela! Estimo que o Beomon também tenha gostado do artigo e fotos! Abraços e saudades!

  4. katia disse:

    Puxa, meu amigo, que maravilha de viagem! Sabe que me senti acompanhando vocês nessa aventura, até o gostinho das frutas (que saudades, do sabor da mangaba, que saboreava quando visitava minha avó em Olinda).
    A beleza do rio, a exuberância dos mandaruvás! Que cores magníficas!
    E suas amigas de viagem, que belas companheiras, adorei saber que a Iraene é maranhense, também berço do nosso grande Josué Montello que descreveu tão bem o Maranhão que passei a admira-lo após ler (e reler) os seus romances.
    E como foi bom ver o habitat das Cattleyas araguaiensis com a natureza cumprindo o seu papel fecundando a flor, já que numa touceira se destacava uma cápsula entreaberta …
    A sombra das árvores se projetando no chão, a canoa e o rio, …
    Lindo demais, dá mesmo vontade “chutar o balde” e sair por aí, sem lenço e sem documento….
    Abraços!

  5. Pâmela disse:

    Oi Zé nossa que coisa + linda meu amigo vc está de parabéns e sempre trazendo alegrias e coisas diferentes ao público que te assiste né? Vc merece meu amigo e oh tá mt lindo seu site e as orquídeas então nossa nem se fala!
    Abraços meu anjo!!!!!
    R.: Oi lindaaa!!! Pâmela, espero receber você, Daniel e o pequeno ano que vem em Cuiabá! Programem desde já! É sério!!! Cuiabá não tem rio Araguaia, mas tem Chapada dos Guimarães encostado e lugares lindos pra visitar! …de repente a gente estica até Luciara, por que não?!? Obrigado pela visita! Abraços!

  6. Christiane disse:

    oi Jose luiz, tudo bem ! Nos conhecemos em Luciara nas eleições eu e o meu colega Carlos fomos ate a casa da Iraene com a Rosana e lá conhecemos voce. Adorei o seu blog sobre orquideas, vai ser de muita utilidade para mim pois estou entrando no ramo dos orquidoidos agora. Me informe quando estiver tudo pronto com seu orquidario, estou doida para conhecer, visita-lo e trocar algumas informações. tchau até mais, abraços. Ah, se voce falar com a Iraene manda um beijo e abraço para ela, fala que eu estou cuidando muito bem das orquideas que ela me deu.
    R.: Christiane, é um prazer revê-la agora pelo virtual…mostra que nosso mundo é pequeno!!! De repente um policial aposentado (eu) encontro uma jovem policial na ativa no sertão luciarense!!! E que também aprecia orquídeas! Seu recado está dado pra Iraene, ela sempre visita o blog e certamente lerá seu comentário! Voltando pra Cuiabá e arrumando meu orquidário divulgarei pra visitação e troca de idéias com os orquidófilos visitantes objetivando formar na capital cuiabana uma Associação Orquidófila, que parece-me, ainda não tem! Abraços.

  7. margarete de souza disse:

    Olá Jose Luiz

    Parabéns pelo presente, que paisagem maravilhosa, estou encantada com as fotos e a reportagem.

    Um abraço

    Margarete de Souza

  8. vera disse:

    Oi Zé, legal ter lido esta reportagem justo no momento em que me preparo para comprar mudas de C. araguaienses, assim posso ter ideia do cultivo. Meu marido era militar (agora aposentou) e fez curso de sobrevivencia no Araguaia. Hoje ele fala que queria ir lá com tudo que sabe sobre orquideas, para tirar fotos de habitats, como fazemos aqui no sul. Há algum orquidario de lá que comercialize mudas delas? Pergunto, pois aqui fazemos muda de Cattleyas aqui do sul, por semente, e trocamos com amigos de outros estados. A C. araguaienses tambem tem variações como as outras Cattleyas? Um abraço.
    R.: Obrigado pela visita Vera! Legal saber da paixão do casal por orquídeas, e principalmente seu marido que conviveu num período de sua vida na região do habitat da C. araguaiensis, um lugar realmente bonito! Não existe no Mato Grosso ou Tocantins orquidários habilitados no comercio de C. araguaiensis, se surgir alguém disposto a isso com certeza serão “mateiros” que abomino, pois destroem tudo por onde passam, fazem uma limpeza de plantas nativas para venderem. A partir do ano que vem, pretendo inaugurar um laboratório para multiplicação de nativas com fins de preservação, nos moldes daquele preconizado pelo orquidólogo Darly Machado, de Campinas/SP. Pretendo trabalhar com multiplicação da C. nobilior, C. araguaiensis e C. violacea - todas nativas do Mato Grosso, além de outros estados do centro-oeste - mas sem fins comerciais, direcionando doações para entidades orquidófilas do Brasil cujos membros estejam comprovadamente voltados à preservação de nosso patrimônio botânico nativo de regiões brasileiras. Do que conheço da C. araguaiensis, ela não te variações de cor como muitas Cattleyas de outras espécies, a única coisa que notei de diferente nalgumas plantas que tenho é que o labelo numas, faz a volta no sentido horário, noutras no sentido anti-horário..mas tais observações foram duma época em que ainda não estava engajado no sentido “pesquisa” como estou hoje, portanto carece de maiores detalhes e observações futuras, ouvindo outros cultivadores. Continuemos no contato, ano que vem pelo segundo semestre, talves já tenha tubos de ensaio com plântulas para doação. Abraços!

  9. iraene disse:

    Cristiane vi seu recado e muito obrigada pelo carinho! Parabéns pelo empenho que esta com suas novas filhinhas luciarenses! Aguardo vc no meu orkut para trocarmos mais ideias! Pode ter certeza logo o Zé estará em Cuiabá com um orquidário lindo pra nós visitarmos! Beijos!

  10. iraene disse:

    Katia
    obrigada por gostar tanto de minha terrinha maranhense! Tenho saudades de lá mas confesso… fico bem dividida pois aprendí a amar muito esse pedacinho de Brasil onde moro hoje! Como dizem - meu coração é enorme e cabe os dois Estados e ainda sobra espaço para mais um! Beijos querida, obrigada! Sei que gostou tambem daqui então só tenho a agradecer pelos elogios a meus lugares de origem e de habitação.

  11. Itamar Souto disse:

    José Luiz, tomei conhecimento deste seu site através de Vera Coelho.
    Sou o Itamar Souto, de Aracaju - SE e no momento presidente da OASE - Orquidófilos Associados de Sergipe.
    Fiquei maravilhado com esta reportagem deste passeio pelo Rio Araguaia. Ótima narração e fotografias.
    Acredito que por aqui, Aracaju, a Cattleya araguaiensis possa adaptar-se bem. Nossa umidade é sempre alta com uma média anual de mais de 80%.
    Parabenizo o Orquidário Cuiabá por excelente trabalho.
    Abraços,
    Itamar.
    R.: Obrigado pela visita Itamar! Como a C. araguaiensis é planta de clima quente na região onde é endêmica no Tocantins (Ilha do Bananal no Rio Araguaia) e duas estações climáticas bem definidas, uma seca e outra chuvosa, penso que ela adaptar-se-ia naturalmente na região nordeste do Brasil, onde o clima é parecido. Meu intuito é preservação de espécies nativas do Mato Grosso, devo instalar laboratório em janeiro/2009 para propagação de algumas espécies (como já disse noutro comentário) - e no momento certo pretendo contatar entidades como a sua objetivando doações de exemplares. Abraços.

  12. Maurício Sluppek disse:

    Muito bom. Isso é Brasil!! Grato pelo belo relato.

  13. Vera disse:

    Obrigada pela resposta, Zé. Acho que todos que gostam realmente de orquideas, cuidam para preservá-la, menos comerciantes que só visam lucro.Eu mesma já espalhei varias sementes delas para quem cultiva e tenho o costume de fazer polinização quando visito habitats.Procuro comprar orquideas de orquidários, mas muitos deles são abastecidos por mateiros.Pertenço a uma associação que visa a preservação e orientação de cultivo(ACO), aqui de Curitiba e com autorização do Ibama, fizemos retiradas de plantas de locais que vão ser desmatados, mas é muito dificil conseguir este documento, e quando ele chega as nossas mãos, os mateiros ou máquinas chegaram antes..Um abraço
    Vera
    R.: Concordo com você Vera, tem muito orquidário legalizado, comercial que revende orquídeas compradas e ENCOMENDADAS de mateiros…dia desses tive a prova numa exposição comprando uma C. amethystoglossa, ao retirar em casa o excesso de fibra de xaxim que colocaram nas raizes da planta dentro da caixeta! Infelizmente o IBAMA federal e as FEMA (estaduais) ainda não têm uma portaria reguladora cadastrando entidades oficiais municipais como Associações, Sociedades ou Grupos Orquidófilos habilitados a uma pré-coleta e uma segunda após derrubada inicial das matas em situações de desmatamento autorizado por eles…como você disse, conseguir autorização é burocrático e quando autorizam, o fazem um pouco tarde, os mateiros e máquinas chegaram primeiro! Sabe que nunca pensei em polinizar uma orquídea no habitat como você? Uma ótima ideia! Farei isso de agora em diante! Abraços!

  14. Maurício Pinto disse:

    Olá Zé.
    Obrigado por compartilhar essas aventuras…
    Passei por aqui pois um amigo da França perguntou as condições de cultivo desta antiga Cattleya. O francês está com uma coerulea florida na França!
    O engraçado é que quando abriu coerulea o francês mandou um e-mail para o vendedor brasileiro reclamando que não era o que tinha comprado (uma C. araguaiensis tipo).
    Abraços.
    R.: Mauricio, estou intrigado, você disse que ele tem uma Cattleya araguaiensis var. coerulea??? Sinceramente eu nunca vi e gostaria de conhecer…por favor diga onde posso encontrar fotos de variações da araguaiensis, pois na forma nativa da região que conheço jamais vimos alguma que não fosse a tipo! Abraços!

Deixe um comentário