A orquídea sagrada do samurai
Conta-se que existe uma forte ligação entre a orquídea Neofinetia falcata com a cultura Samurai. Segundo Merle A. Reinikka, na obra “A History of the Orchid”, para o guerreiro samurai, esta era um símbolo de bravura e valentia, e como prova disso, no seu treinamento ele deveria cruzar mares traiçoeiros até alcançar ilhas desertas e inóspitas no Japão, onde elas vegetavam abundantemente, trazendo uma consigo para a aclamação pública. Teria sido uma espécie cultivada com exclusividade durante séculos pelo “bushido”, classe guerreira japonesa. Conta-se que aqueles que não fossem membros da elite samurai eram proibidos de terem um exemplar dessa orquídea. Os senhores feudais da época também eram muito ligados a ela, considerada símbolo de riqueza e nobreza. Com a evolução dos tempos, quebradas essas regras ou barreiras , tornou-se uma planta popular no mundo orquidófilo.
A Neofinetia falcata é uma orquídea epífita monopodial, monotípica e nativa de regiões subtropicais do Japão, parte da China e Coréia, pequena e elegante, com folhas curvas graciosas, semi-teretes e aos pares pelo caule de crescimento contínuo; na floração que ocorre normalmente no verão e eventualmente no outono, quando de 3 a 15 flores albas surgem no topo da planta, com longos apêndices (calcar) curvos, muito perfumadas lembrando cheiro de baunilha, principalmente à noite, cujo agente polinizador são insetos lepidópteros, provavelmente mariposas. A morfologia das flores lembra muito aquelas do gênero Angraecum. Especialistas no cultivo afirmam que a planta aprecia substrato misto de cascas (pinus) e esfagno (musgo) ou xaxim (atualmente proibido extração e comércio), sempre bem ventilado, em potes pequenos que permitam maior aeração interna possível, aliado a umidade ambiente em torno de 80%, evitando-se que suas raízes fiquem completamente secas, enfim, proporcionar regas diárias mantendo constante umidade nelas, mas nunca “ensopadas” – o excesso de umidade e falta de ventilação, como em todas as orquídeas, .pode provocar aparecimento de fungos e bactérias e conseqüente podridão do enraizamento, razão para que o pote tenha excelente drenagem, com furos amplos nos fundos e laterais.
O replantio da Neofinetia deve ser feito preferencialmente no final do inverno e princípios da primavera, a cada 2 ou 3 anos, evitando o estresse natural noutras estações quando ela poderá estar florida. Fertilizantes indicados para orquídeas (livres de uréia) poderão ser usados a cada 10 dias, observando-se eventual acúmulo de sais, notados pela cristalização esbranquiçada destes nos vasos ou substrato, recomendação válida para qualquer orquídea ou flores diversas. Quando isso acontecer, sugere-se regar copiosamente o vaso e substrato para que a água dilua esse excesso, livrando a planta de queimaduras químicas no enraizamento. No período de dormência da planta, normalmente nos dias mais frios de inverno, minimizar as regas para ligeira borrifação. Luminosidade ideal vai de moderada a intensa, mas sempre indireta, preferindo-se telado de sombreamento de 50%.
Usada em hibridizações, a Neofinetia falcata produz dezenas de diferentes combinações, dentre elas as mais conhecidas são: Ascofinetia (Neofinetia x Ascocentrum), Neostylis (Neofinetia x Rhyncostylis), Vandafinetia (Neofinetia x Vanda).
Descoberta por Carl Thumberg que a descreveu em seu livro Flora Japônica em 1784 como Orchis falcata, teve outras nomenclaturas, prevalecendo a atual, Neofinetia falcata em homenagem a Achille Finet (1862-1913), botânico francês que trabalhou com orquídeas na China e Japão. Existe descrição anterior feita por Jo-an Matsuoka, durante a dinastia Cheng-te, em 1728, que a nomeou “Igansai-ranpin”.
No Japão, alguns clones, de variedade menor, são cultivados em pequenos vasos de porcelana. Em japonês é mais conhecida como Fu-Ran onde Ran significa orquídea e Fu, vento (traduzido do inglês “Wind Orchid”), ou ainda Fukiran, literalmente “orquídea rica e nobre”. No website comercial do New World Orchids (em inglês), várias fotos dela hibridas com variações de cores, em tons rosa, amarela e até formato diferente das flores. Veja mais AQUI.
Classificação:
Gênero: Neofinetia Hu, Espécie- Neofinetia falcata (Thumb.) H.H. Hu 1925, Tribo: Vandeae, Subtribo: Sarcanthinae; Etimologia: Neofinetia (leia-se “neofinécia”) junção do latim neo, novo(a) e finetia, latinização do sobrenome do homenageado Achille Finet; falcata, do latim falcatus, foice, em referência ao formato de suas folhas.
Outros sinônimos- Aerides thunbergii Mig., Angraecum falcatum (Thunb.) Lindl., Finetia falcata (Thunb.) Schltr., Oeceoclades falcata (Thunb.) Lindl., Orchis falcata Thumb. (basionímio), Nipponorchis falcata (Thunb.) Masamune, Holcoglossumn falcatum (Thunb.) Garay & Sweet, Angraeacaopsis falcata (Thunb.) Schltr.
Fonte:
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texto publicado no Boletim da American Orchid Society, de autoria de Sean Eaton – http://angrek.com/AAOS/Past/9701/Txt/Neofin.html visitado em 22/11/09.
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The Illustrated Encyclopedia of Orchids – Alec Pridgeon, Timber Press Inc., 2000.
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Botanica´s Pocket Orchids, H.F. Ullmann, 2007
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Dicionário Escolar Latino-Português, Ernesto Faria (org.), MEC, 1955.
Fotos: copyright Orquidário Cuiabá, exceto aquelas cuja origem consta do espelho.
A lenda do samurai
“Era uma vez havia um grande samurai. Mesmo idoso, dedicava-se ao ensino da arte aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um jovem guerreiro apareceu por ali. Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama. O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final do dia, sentindo-se já exausto e humilhado, o guerreiro retirou-se. Seus discípulos, que a tudo presenciaram, surpresos, perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade sem reagir.
- Se alguém chega até você com um presente, seja bom ou ruim e você não o aceita, a quem pertence o presente?
- A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregam consigo.
MORAL DA HISTÓRIA: A sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir.” – Autor desconhecido.
Crédito foto acima: Google imagens- fotomontagem Orquidario Cuiabá.












Que interessante! Adorei conhecer a orquidea e a sua bela história.
Vou utilizar a técnica do velho samurai para tentar melhorar minha paz interior, muito bom!
Abraços, Katia
Só se você permitir: em tudo o que fizermos, só iremos falhar se a nossa mente estiver à deriva. Assim é com nossas plantas, a paz que sentimos quando estamos diante delas não tem nada que se compare,outras flores não nos trazem a mesma alegria e paz interior como uma orquidea é capaz de trazer. Sendo assim não permitamos que alguém nos tire a alegria de fazer parte desta natureza maravilhosa e em paz, totalmente em paz.Um abraço, Sandra.
Olá
Estou conhecendo hj o site, e amei!
É tudo oque eu procurava! Ja vi outros sites mas não tinha gostado.
Vc solucionou minhas duvidas sobre a Cymbidium e agora falando sobre a Orquidea dos samurais, tenho uma e é a minha xodó, vc já sentiu o perfume que essa florzinha tem? É Incrivel!
Sou de Cuiabá tbm, e aqui é muito dificil para achar boas orquídeas.
Vc ja montou o seu orquidário? Só compro em Sinop e Alta Floresta, aqui no MT tbm, o orquidário de Alta Floresta é muito bom. Achei algumas para comprar pela net, minha salvação, e por aqui é muito caro. Passei em Holambra semana passada e fiquei maravilhada, la é muito barato, mas não tem muita opção também.
Fico feliz por encontrar alguem que goste de orquideas aqui em Cuiaba, quem sabe podemos conversar mais sobre o assunto.
Abraço
Celina
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