Cattleya bicolor Lindley
por Saulo Oliveira
A Cattleya bicolor é uma planta robusta, imponente, de fácil cultivo apesar de ainda não ser tão intensamente cultivada e até mesmo disponibilizada em listas de orquidários profissionais.
Vegeta de forma epífita, rupícola e por vezes até terrestre, sobre uma cobertura de detritos orgânicos, encontrada nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal, no Brasil.
Foi descrita para a ciência em 1836 por Lindley através de material proveniente de Minas Gerais (região de Bom Jesus do Bananal).
O período de floração é extenso, iniciando-se em dezembro e seguindo até o final de fevereiro – inicio de março, quando ocasionalmente já encontramos alguma Cattleya walkeriana florindo no mesmo habitat, o que possibilita a hibridação natural, conforme é comentado adiante.
Floresce, de modo geral, em hastes multifloras com até mais de uma dúzia de flores, sendo mais comum apresentar um número menor.
As variedades encontradas são as albas e albescens, semi albas, coeruleas, suaves, chocolate e tipo – sendo esta a mais comum, todas ilustradas nas fotos abaixo. Existem, contudo, diversas variações mesmo dentro do que é considerado como tipo: existência ou não de pintas (puntactas e lisas), presença ou ausência de mancha branca no labelo e mais uma série de pequenos detalhes que só enriquecem a natureza tão distinta desta planta.
Em Minas Gerais é encontrada em uma grande diversidade de ambientes, o que se reflete na própria natureza genética diversa dessa planta e é traduzida pela ocorrência de algumas subespécies (brasiliensis, grossi e minasgeraensis). Assim, temos observado plantas ocorrendo tanto em áreas de cerrado, mesmo no alto de serras, em matas de galeria, ao longo de cursos de água e em áreas cársicas, em pedreiras de calcário. Em todas essas condições ela se mostra plenamente adaptada e forma consideráveis populações, marcadas não só por um grande número de indivíduos como pela existência de magníficas touceiras.
O habitat descrito e ilustrado a seguir situa-se na região norte do estado de Minas Gerais , no médio São Francisco. Ocorre em uma área de cerrado, com vegetação arbórea-arbustiva de médio porte em torno de fontes intermitentes de água. Durante o período das chuvas a umidade é intensa e constante, associada sempre a adequadas aeração e drenagem, baixando gradativamente ao longo do ano de modo que na estiagem o ambiente pode ser considerado como seco mas, devido a existência de uma cobertura de folhas e matéria orgânica no chão, as plantas não são totalmente privadas de água.
Por ocasião da visita, realizada quase ao termino da floração (observe nas fotos que a maioria das plantas está com as flores murchas) o habitat parecia bem preservado, em equilíbrio, dada a ocorrência de seedlings e a ação de polinizadores, traduzida pela grande quantidade de capsulas. Mais tarde, é de se esperar que a maioria dessas cápsulas sofrerão abortamento (observe que em uma haste floral a maioria das flores foi polinizada e mesmo na natureza isso causa uma importante espoliação à planta).
Nesse local, as plantas vegetam principalmente sobre essa camada de detritos mas também ocorrem na forma epífita.



Compartilham o mesmo ambiente Cattleya walkeriana, Cyrtopodium sp e Vanilla spp. e já foi descrito para tal região a Cattleya x joaquiniana, hibrido natural entre a bicolor e a walkeriana. A foto que ilustra o artigo nos dá uma idéia da planta, ainda que seja proveniente da região do baixo Velhas, também em Minas Gerais.
Observe que sua morfologia é mais próxima da bicolor mas com uma coloração herdada da walkeriana. Essa planta é unifoliada, apresenta bulbos grossos e com aproximadamente 22 cm (+_ 2cm).
Para conhecer mais sobre esse híbrido natural, no excelente artigo de José Ronaldo Lima e publicado no site oficial da SOBH – Sociedade Orquidófila de Belo Horizonte, clique AQUI.

O presente texto visa divulgar essa espécie bem conhecida porém ainda pouco cultivada e na demonstração de como elas vegetam em seu habitat, favorecer o seu cultivo.
Ficha da planta:
Gênero: Cattleya Lindley; Espécie: Cattleya bicolor Lindley 1836; Tribo: Epidendreae, Subtribo: Laeliinae (ou Schomburgkoidea Withner 1989), Etimologia: Cattleya, em homenagem a Willian Cattley, horticultor inglês do século 19. Epíteto: bicolor, do latim “bi” -duas, “color” – cor; “que tem duas cores” em referência a cor marrom-esverdeada das pétalas e sépalas em contraste com o acentuado purpúreo do labelo, predominante nas flores tipo.
Referências:
- The Illustrated Encyclopedia of Orchids, Alec Pridgeon, 2000.
- ABC do Orquidófilo, René Rocha, 2008.
- TROPICOS.
- Lista mundial de plantas do Royal Botanic Gardens, Kew.
Créditos: Todas as fotos são da coleção do autor.












A Cattleya bicolor é sem dúvidas uma das nossas mais belas orquídeas. A elegância das suas flores e cores é algo indescritível. Eu já tive a oportunidade de conhecer seu habitat natural e de muitas outras espécies raras convivem junto a ela.
Recentemente encontrei na região de Diamantina a Hadrocattleya X binoti, híbrido natural entre ela e a Hadrolaelia pumila. Lindíssima!
Parabéns pelo artigo e fotos amigo.
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