Orquídeas da Serra do Espinhaço
autor: Reginaldo Vasconcelos Leitão.
O complexo montanhoso do Espinhaço, conhecido como Serra do Espinhaço, alcança desde o centro sul de Minas Gerais até o norte da Bahia e sobre as belas montanhas, picos e chapadas que se afloram por toda essa região geográfica, desenvolveram-se ricos biomas de campos rupestres e cerrados que abrigam incontáveis espécies de plantas e animais, muitas vezes exclusivos dos limites da serra.
As orquídeas que escolheram as altas montanhas do complexo da cadeia do Espinhaço foram privilegiadas por um clima todo especial e condições naturais exclusivas para seu pleno desenvolvimento. Não só clima, mas também pelo tipo de solo e vegetação e outros fatores que contribuem sobremaneira para as adaptações e evolução das espécies. Mas certamente o fator climático foi o maior determinante na evolução e no endemismo das orquídeas do Espinhaço.
Na maior parte do complexo de serras o clima é caracterizado por grandes periodos de seca, alta insolação e temperaturas amenas no período noturno; isso fez com que não só as orquídeas mas muitas outras espécies vegetais desenvolvessem métodos de armazenagem de água por um longo periodo devido a escassez de chuvas. Folhas grossas, caules suculentos e muitas formas de tuberculos e bulbos são comum entre os vegetais, muitas espécies de Vellozia tem caules fibrosos e que podem reter e acumular água da chuva e até mesmo os suaves serenos noturnos que são comuns nesse ambiente, várias bromélias, assim como as dos ambientes mais umidos também acumulam água entre suas folhas, algumas formam verdadeiras jarras com suas folhas e já outras tem toda a planta coberta por micro pêlos, tricomas que ajudam a captar a umidade do ambiente.
Nas alterosas do Espinhaço são encontrados refúgios de muitas espécies de orquídeas, nessas montanhas são encontradas a grande maioria do gênero Hoffmannseggella que antigamente pertenciam ao gênero Laelia ( laelia rupícula no popular), essas belas e rústicas orquídeas formam grandes populações muitas vezes e colorem as rochas com suas cores brilhantes, cintilantes como os pedras preciosas. Dentre as espécies mais comuns estão as Hoff. rupestres e Hoff. briegerie, a primeira tem delicadas flores de tons lilás que brilham com as luz, como se tivessem pequenos cristais sobre suas pétalas.
Já a Hoff. briegeri tem um forte colorido amarelo, não tão menos brilhante como sua irmã a Hoff. rupestres, ela é uma das mais comuns e graciosas orquídeas da Serra do Espinhaço. Ambas vegetam sobre a rocha onde ficam acumulados detritos orgânicos, suas folhas são carnosas e tem a função de acumular líquidos para suprir a necessidade de água durante o período da seca.

Laeliocattleya binoti -hibrido natural da Hadrolaelia pumila e Cattleya bicolor encontrado nas matas de galeria
Outras orquídeas também sobrevivem as condições hostis dessas montanhas, além das Hoffmannseggella podemos encontrar muitas espécies de Bulbophyllum, Anacheilium, Epidendrum e Bifrenaria e o raro gênero Constantia que é endêmico dessa região, as espécies de Constantia são orquídeas diminutas dificilmente observadas devido a sua perfeita camuflagem. Vegetam na maioria das vezes sobre as rochas ou protegidas da luz direta entre as fendas.
Nas matas de galeria, que também constituem o aspecto da vegetação, encontram-se muitas espécies que necessitam de um ambiente mais umido e mais protegido do sol. Essas matas aparecem em grotões onde geralmente existe um curso de água que abastecem as árvores mais frondosas. Muitas orquídeas são encontradas nesses ambientes, principalmente algumas espécies que migraram de outros biomas como a Mata Atlântica, entre elas a Hadrolaelia pumila e a Cattleya bicolor são facilmente avistadas escolhendo os extremos dos galhos onde podem receber um pouco mais de luz, já a Stanhopea lietzi e muitas espécies de Pleurothallidinae preferem cantos mais escondidos e mais úmidos.
É notável a biodiversidade dos campos rupestres e a dependência de todos os seres que escolherem esse bioma como sua casa única e sabemos que futuros estudos sobre sua complexidade e diversidade de organismo vão revelar muitas surpresas ainda escondidas entre as nossas montanhas.
Aproveito para agradecer aos amigos da SOD (Sociedade Orquidófila Diamantinense) pela hospitalidade, pelo trabalho de preservação das orquídeas da região de Diamantina e por divulgar de forma consciente a biodiversidade do local.
Do autor: Reginaldo de Vasconcelos Leitão é orquidófilo e orquidólogo nascido em Governador Valadares, leste de Minas Gerais. Seus estudos são focados na família Orchidaceae, em especial naquelas nativas da sua região. Dedica-se principalmente ao estudo das orquídeas da Mata Atlântica e dos afloramentos rochosos conhecidos como “inselbergs”. Seus estudos tem revelado espécies novas para flora do Brasil e novas ocorrências para o Estado de Minas Gerais. Seu email: hectia@gmail.com
Copyright: texto e fotos de sua autoria.













olá!
adoro orquídeas e gostaria q me mandassem alguns contatos (por hotmail) para que possa conversar com mais gente q gosta do assunto.
Là em casa só eu gosto, ou melhor , amo .
se possível ficarei muito grato mesmo.
abraços .
tchau
R.: Sugiro visitar o ORKUT e a dezena de comunidades orquidófilas que muitos usuários criam, basta digitar a palavra “orquidea” na parte de Buscas do orkut…aparecerão centenas de perfis do meio – ai é só entrar em contato e fazer valer sua pretensão. Abraços.
Parabéns!!!
Parabenizo o Reginaldo e você José Luis,que reportagem maravilhosaaaaaa!! Como disse a amiga Flávia Negrão a cada dia que passa estamos cada vez mais afiados,agora não só em adubos mas também em cultura nativa de orquideas lindíssimas!!! Eu creio que a cada dia que passa,o blog está ainda maior e melhor, assim como o coração de cada um que deseja repartir um pouco do que vê e aprende.José Luis é gratificante ver estas matérias publicadas,só assim temos aos nossos olhos a diversidade de plantas maravilhosas que devemos ajudar a preservar,para que não cheguem a extinção.
Que lugar incrível, agora entendo porque falam da dificuldade em se cultivar Laelias rupiculas, realmente não deve ser nada fácil a sua adaptação em cultivo doméstico.
Adorei esse trecho do artigo realmente me encantou: ” essas belas e rústicas orquídeas formam grandes populações muitas vezes e colorem as rochas com suas cores brilhantes, cintilantes como os pedras preciosas”
Lindo!
Parabéns!
Katia
A beleza que a natureza nos oferece é comovente. Esse artigo só nos vem a comprovar como ela é generosa. Parabenizo o amigo Reginaldo por tão bem descrever a região e pelas lindas imagens. Sempre que deparo com imagens como essas ou tenho a oportunidade de apreciar a generosidade da natureza lembro que infelizmente nós, seres humanos, nem sempre lhe retribuímos a mesma generosidade. Ainda assim podemos apreciar essas jóias. Em nome dos amigos da SOD: Reginaldo seja sempre bem vindo.
R.: Concordo com você Ivonair! O Reginaldo é dessas pessoas maravilhosas que dão sua parcela de contribuição positiva com a orquidofilia e orquidologia, dividindo conhecimentos e resultados de suas pesquisas, normalmente endossado pelo botânico M.A. Campacci. Ele tem 3 artigos já publicados aqui, um sobre novas espécies, outro sobre orquídeas da Serra do Pitengo e agora este, sobre a Serra do Espinhaço. Parabéns a vocês da SOD, na preservação dos habitats de belíssimas orquídeas…e privilegiados morando numa região de maravilhosos cenários naturais! Abraços.
Parabéns!
.:Ivonair Oliveira
Como comentei fiquei encantada com a passagem do texto que menciona que as orquideas nesta região são cintilantes e brilham como pedras preciosas.Aí resolvi pesquisar o porquê. Bem, o que descobri é que a região é extremamente rica em minério de ferro e a poeira que se desprende colam nas flores e causam esse efeito espetacular.
E por isso para se ter sucesso no cultivo da Cattleya elongata (não sei se é da mesma região), deve-se misturar no substrato pregos, etc…
De qualquer forma, prefiro pensar na forma das flores como o autor do artigo nos apresenta, bem mais poético (rs!)
Katia
Parabéns Reginaldo, fico deslumbrada com a beleza das orquideas em seu habitat natural, e fico feliz vendo seu trabalho, e as lindas fotos que vc posta, mais uma vez parabéns e que Deus te abençoe muito pelo carinho que vc tem com a Obra Dele,abraço…
Prezado José, primeiramente quero parabenizá-lo, Seu site está muito bem feito!
E agradecer por este trabalho do qual, tenho certeza, muitas pessoas estão se beneficiando, principalmente para nós iniciantes e amantes da beleza das orquídeas. Eu mesma já vou começar com o vaso reciclado, que excelente idéia…
Hoje teve a oportunidade de lê às duas outras matérias do orquidófilo e orquidólogo Reginaldo, como você mesmo disse que pessoa maravilhosa que mostra sua humildade compartilhando o seu conhecimento. Posso dizer que é um apaixonado pelo que faz por te tido a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, e que o pouco que convivemos me fez apaixonar mais ainda por esse universo que e o mundo das orquídeas. Parabéns a ele mais uma vez e a você pelo excelente trabalho. Abraço
parabens! são lindas! sou apaixonada por essa flores só não tenho um orquidario por falta de condições
Reginaldo: Fiquei maravilhado a ver estas orquídeas rupestres. Se eu conhecesse um lugar desses eu enlouqueceria.
Um abraço e parabéns!
Parabéns amigo!
Não sabia que tinha um amigo tão importante!
Um beijo
bem massa
Como sempre dando um show com teus comentários e fotos maravilhosas. Parabéns . Bela reportagem Reginaldo.
Deixe seu comentário!
Enquete
Categorias
Meta
Tags
Nossos parceiros
Quem comentou
Posts mais comentados
Participe de nosso blog!