Os dinossauros de Peirópolis – Minas Gerais
por: José Luiz da Silva Vieira
Inegável a contribuição mineira em diversos aspectos da história do Brasil. No contexto da orquidofilia a flora dessa região brasileira é magnífica, lendo os artigos aqui já publicados da Serra do Espinhaço comprovamos isso. Outra beleza existente na terra das Gerais empolgou-me quando visitei o Museu dos Dinossauros de Peirópolis, a poucos quilômetros de Uberaba, uma das principais cidades do triângulo mineiro. O sitio paleontológico local é riquíssimo. O Museu dedicado aos animais pré-históricos encontrados nas escavações na região é sinônimo da boa ciência natural e muito bom gosto, resultado da competência pela qual é administrado pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro.
Aproveitando as instalações da antiga ferrovia que existia em Peirópolis, os órgão públicos revitalizaram as belas construções já existentes, como o prédio da antiga estação ferroviária , e casas dos operários e com reformas e adaptações internas, respeitando a arquitetura externa, transformaram o belo local, com parques gramados onde foi erguido numa de suas extensões uma réplica em cimento do grande dinossauro herbívoro Uberabatitan ribeiroi.
O belo casarão com grande fogão a lenha foi transformado na Pousada “Estação do Dinossauro”, destinada a hospedar visitantes interessados em pernoitar por lá, com direito a piscina nos fundos. A grande sala de recepção repleta de móveis antigos revive emoções nos mais nostágicos. Doces, geléias e biscoitos típicos de Minas Gerais são vendidos numa das casinhas próximas da entrada, a preços bem acessíveis e produzidos artesanalmente por doceiras de uma cooperativa da cidade.
No prédio da antiga estação e onde está o Museu dos Dinossauros, funciona durante a semana o escritório de estudos e pesquisas de fósseis. Chama atenção um fêmur fossilizado e cristalizado internamente ali exposto para admiração dos visitantes.
No ambiente climatizado com ar condicionado e temperatura agradável, à meia-luz, e luzes de “spots” realçando fósseis protegidos em caixas de vidro, literalmente viajamos no túnel do tempo. Nas reconstruções parciais fósseis em tamanho original, é possível admirar o belo trabalho dos paleontólogos, e demais pesquisadores e trabalhadores nas escavações, cujo esforço resultou num admirável museu que deveria servir de modelo a outros existentes ou em criação por esse nosso território brasileiro. A pintura com efeito tridimensional em segundo plano, fazendo cenário para as réplicas merece aplausos. Tem-se a impressão do animal vivo ali dentro. Um grande pavilhão foi erguido recentemente e destinado a abrigar réplicas dos animais pré-históricos da região e realização de outros eventos. Admirável as réplicas da tartaruga Cambaremis langertoni e do crocodilo Uberasuchus terrificus, do qual é mostrado seu fóssil também.
Vale lembrar que quando realmente aplicamos com competência o dinheiro ou verbas públicas em cultura, sem “guardar” abusadamente em cuecas, meias, sacolas, maletas executivas e tantas outras formas de falcatruas, a coisa funciona. É bom para o povo, é bom para o Brasil. Exemplo da boa aplicação de verbas está em Peirópolis.
Interessado em viajar no tempo e conhecer sobre dinossauros no Brasil? Visite Peirópolis, em Uberaba, Minas Gerais – e tenha uma aula de paleontologia ao vivo! É maravilhosa essa riqueza local e que nós, brasileiros, desconhecemos!
Antes de louvar e aplaudir os ilusórios “Jurassic Parks” de cultura alienígena, vamos conhecer e valorizar o que de real já temos em nosso próprio país e desconhecemos.
O texto que se segue é cópia daquele existente no folder distribuído aos visitantes. No final veja no album mais fotos ilustrativas do texto, para visualizar tamanho normal, clique na miniatura.
Uberabatitan ribeiroi – o último dos dinossauros
No final do período Cretáceo, há 65 milhões de anos, uma extinção global levou ao desparecimento de inúmeros animais e plantas da Terra. É deste momento o Uberabatitan. Seus fósseis foram descobertos nos últimos estratos rochosos da Formação Marília, no limite com sedimentos do período Terciário, sendo desta forma um dos últimos dinossauros a viver no planeta.
Pertencente ao grupo dos titanossauros, animais que habitaram praticamente os continentes (com exceção da Antártica), caracterizavam-se por ter pescoços e caudas bastante longos, crânios pequenos, patas colunares como as de um elefante e dieta herbívora.
Seu nome, Uberabatitan — significa o gigante de Uberaba e ribeiroi — em homenagem a Luiz Carlos Borges Ribeiro, responsável pelo Centro Paleontológico Price e Museu dos Dinossauros de Peirópolis – Uberaba – MG.
O fóssil
Uberabatitan ribeiroi é uma nova espécie de dinossauro que traduz uma das mais relevantes descobertas paleontológicas do Brasil. A quantidade, diversidade e grau de preservação de seus fósseis, bem como as informações advindas das vértebras do pescoço, aportam dados muito significativos para o entendimento da evolução dos titanossauros.
Uberabatitan é o resultado da maior escavação paleontológica já realizada no país. Para a retirada de seus fósseis, foram removidas cerca de 300 toneladas de rochas ao longo de três anos, árduo trabalho de dez técnicos do Centro Paleontológico Price/Museu dos Dinossauros.
Neste processo foram resgatados 198 fósseis de três indivíduos, sendo um pequeno, um médio e um de grande porte. A descoberta foi realizada a 30 quilômetros de Uberaba, na localidade conhecida como Serra da Galga.
Uberabatitan ribeiroi – o maior dinossauro brasileiro
Dentre os animais encontrados no país, Uberabatitan ribeiroi constitui o maior dinossauro já descrito no Brasil. A partir do estudo de detalhes de seus elementos ósseos, é possível afirmar que poderia atingir de 15 a 20 metros de comprimento, 3,5 metros de altura e peso estimado entre 12 e 16 toneladas.
O gigante de Uberaba viveu em condições ambientais extremas, marcadas por uma aridez climática pronunciada e bastante estressante. Conviveu com inúmeros animais encontrados na região de Uberaba, tais como outros titanossauros de menor porte, crocodilos, anfíbios, lagartos, peixes, tartarugas, invertebrados e até mesmo dinossauros carnívoros de pequeno porte e grande porte, como abelissauros.
O último e o maior dos dinossauros do Brasil foi reconstituído através de uma réplica do indivíduo de porte médio, a partir da cópia de dezenas de fósseis e de uma reconstrução digital dos elementos não encontrados. Na sua construção, além da equipe técnica do Centro Price e Museu dos Dinossauros, vários outros paleoartistas participaram, totalizando 15 técnicos em um esforço que durou 2 anos de trabalho.
Referência: Salgado, L. & Carvalho, I.S. 2008. Uberabatitan ribeiroi, a new titanosaur from the Marília Formation (Bauru Group, Upper Cretaceous), Minas Gerais, Brazil. Palaeontology, 51(4):881-901.






















Assisti a uma reportagem sobre a cidade. Achei muito interessante o comentário do paleontologo que disse mais ou menos que se hoje estudamos, futuramente nós é que seremos os estudados, pois nos tornaremos fósseis para as próximas civilizações, já que todos os povos tendem a se extinguir…
Espero que demore bastante (rs!)
Abraços, Katia
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